Fundhacre encerra 2025 no Acre com 2.849 cirurgias, queda para 13,5% nas suspensões e 44 transplantes realizados pelo SUS – Acre Agora

A Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), principal complexo hospitalar do Acre, chega ao fim de 2025 com resultados expressivos: 2.849 cirurgias realizadas no primeiro semestre — o maior volume da série histórica —, redução das suspensões para 13,5% e 44 transplantes efetuados ao longo do ano. Os números sintetizam um ciclo de reorganização assistencial, ampliação de serviços especializados e investimentos em estrutura, tecnologia e qualificação profissional voltados ao atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Ao longo do ano, a Fundhacre ampliou consultas e procedimentos em especialidades como cardiologia, nefrologia, ortopedia, ginecologia, neurologia, oftalmologia e cuidados ao pé diabético, com centenas de novas vagas abertas — movimento que contribuiu para a redução de filas. Em março, a instituição oficializou a denominação Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo, reforçando a identidade institucional.

Os mutirões permaneceram como eixo de resposta à demanda reprimida. Em fevereiro, um mutirão de reumatologia atendeu mais de 200 pacientes com doenças crônicas, enquanto o Mutirão de Saúde Mental contabilizou 942 atendimentos, sendo 700 consultas especializadas em Rio Branco. Na frente cirúrgica, o desempenho de 2025 representou crescimento de 77,29% frente a 2020, associado à queda contínua das suspensões.

Parte do avanço decorre de melhorias físicas e de gestão: R$ 250 mil investidos na reforma do centro cirúrgico e R$ 200 mil na reestruturação do repouso da enfermagem; além da implementação do Protocolo de Cirurgia Segura, cuja adesão saltou de 12% para 72%. O processo contou com atuação integrada do governo estadual, da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) e do Ministério Público do Acre, fortalecendo fluxos e governança clínica.

Na Ortopedia, 2025 marcou a habilitação para transplantes de tecido musculoesquelético, com três procedimentos realizados, somando-se aos de rim, fígado e córnea. Em agosto, a Fundhacre executou a primeira artroplastia total de quadril pelo SUS no Acre, retomando também artroplastias de joelho. A Oficina Ortopédica foi revitalizada e passou a operar o primeiro banco de órteses para Pé Torto Congênito (PTC) no estado, ampliando o acesso imediato a dispositivos pelo método Ponseti, inclusive com ações itinerantes no interior.

Novos serviços consolidaram o cuidado especializado: ambulatório de endometriose; primeiro ambulatório de sexualidade da Região Norte; ampliação dos mutirões de vasectomia, com 158 procedimentos; fisioterapia para pacientes em hemodiálise; Ambulatório Pré-Dialítico; implantação dos ambulatórios de Dor Crônica e Nutrologia; além de prontuário eletrônico, retomada da espirometria, biópsias por radiologia intervencionista e Raio X Digital. Na reabilitação, avançaram a Sala Multiuso do Hospital do Idoso e a habilitação de leitos de Cuidados Prolongados.

A agenda de ensino também ganhou tração, com o início do processo para certificação como Hospital de Ensino e avaliação do MEC da primeira residência em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial do Acre, abrindo novas frentes de formação e acesso a recursos.

Em transplantes, o ano fechou com 44 procedimentos (16 de fígado, 14 de córnea, 11 de rim e 3 de tecido ósseo). Desde 2006, a Fundhacre acumula 573 transplantes, consolidando-se como referência regional. A maior edição do Setembro Verde no estado ampliou o diálogo social sobre doação de órgãos, com ações educativas e institucionais.

Ao concluir 2025, a Fundhacre apresenta um balanço analítico de ganho de escala, eficiência e acesso: mais cirurgias, menos suspensões, serviços inéditos, interiorização do cuidado e fortalecimento do ensino. O conjunto de números e entregas indica que planejamento, protocolos e trabalho em rede podem traduzir investimento público em resultados concretos para o SUS no Acre.

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