Xapuri completou 121 anos neste fim de semana com programação cívica, cultural e esportiva e com obras recentes que mudaram a mobilidade no município do Alto Acre. As celebrações incluíram desfile cívico no sábado (21), com presença de autoridades estaduais e municipais, e atividades abertas à comunidade também no domingo (22), em um aniversário marcado por discursos que combinaram balanço de entregas e promessa de novos investimentos.
No ato cívico, a vice-governadora Mailza Assis afirmou que o governo mantém o compromisso com a cidade e citou o papel histórico de Xapuri na formação do Acre. Ao lado dela, o prefeito Maxsuel Maia disse que o município vive um ciclo de avanços e apontou obras estruturantes feitas em parceria com o Estado, com destaque para a Ponte da Sibéria, que passou a integrar de forma permanente o bairro Sibéria ao centro urbano.
A ponte, oficialmente batizada de Jamil Félix Bestene e entregue em 2025, tem 389 metros de extensão e foi anunciada como parte de um pacote de intervenções que incluiu pavimentação, drenagem, sinalização e uma rotatória para organizar o fluxo de veículos e reduzir gargalos no tráfego local. A estrutura se tornou um dos principais símbolos do atual momento de obras na cidade ao encurtar trajetos e dar mais segurança à travessia, especialmente em períodos de cheia.
Outra entrega recente foi a Estrada da Variante (AC-380), inaugurada em setembro de 2025 após décadas de espera. Com 17,57 quilômetros, a via faz a ligação direta com a BR-317 e atende uma população em que uma parcela expressiva vive na zona rural, o que dá peso à obra na logística do escoamento e no acesso a serviços. A expectativa local é que a rodovia reduza custos de deslocamento e fortaleça a circulação entre comunidades, sede urbana e municípios vizinhos.
O aniversário também reforçou a identidade de Xapuri como cidade associada ao extrativismo e ao turismo de base histórica, com a Casa de Chico Mendes como ponto central dessa memória. Tombado como Patrimônio Cultural Brasileiro, o imóvel voltou a receber visitantes em horário comercial após ter sido afetado por enchentes em 2024, e segue como referência para quem busca compreender a trajetória do líder seringueiro e a luta socioambiental que projetou o município nacional e internacionalmente.
No campo econômico, Xapuri tenta ampliar renda com cadeias produtivas ligadas à floresta. A produção de castanha na área da Reserva Extrativista Chico Mendes, por exemplo, é apontada por organizações locais como uma das atividades de maior impacto na economia de comunidades tradicionais, com estimativas de milhões de reais girando a cada safra. O desafio, segundo lideranças do setor, é fortalecer beneficiamento, comercialização e acesso a mercados, em um cenário de pressão por mudanças de uso do solo na região.
Com a infraestrutura reduzindo o isolamento e a pauta ambiental voltando ao centro do debate nacional, Xapuri entra no novo ciclo com o objetivo de transformar obras e memória em oportunidades concretas, seja na atração de visitantes durante o verão amazônico, seja no fortalecimento de produtos extrativistas como estratégia de renda para famílias que dependem da floresta.
Foto: Arquivo Secom








