A Emater iniciou nesta segunda-feira (23) a formação de extensionistas que vão atuar com famílias beneficiárias do Programa Bolsa Verde em áreas de conservação no Acre. A capacitação segue até 27 de março, no Sebrae, em Rio Branco, e integra um pacote de ações para ampliar a assistência técnica e extensão rural com foco socioambiental.
A iniciativa faz parte de uma parceria com investimento de cerca de R$ 2,5 milhões, firmada entre a Emater e a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). A meta é atender mais de 431 famílias que vivem em territórios como a Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, a Floresta Nacional do Macauã e a Floresta Nacional de São Francisco, em áreas dos municípios de Sena Madureira e Manoel Urbano.
O diretor técnico da Emater, Altemar Pereira de Lima, afirmou que o trabalho vai combinar orientação técnica e práticas tradicionais das comunidades para reduzir a pressão sobre a floresta e ampliar a segurança alimentar. “O principal objetivo é implementar ações em áreas de reservas extrativistas, unindo o conhecimento tradicional com a assistência técnica, para evitar o desmatamento e garantir a segurança alimentar dessas famílias”, disse.
Os recursos devem financiar novas capacitações e a implantação de unidades demonstrativas, com técnicas voltadas a elevar a produtividade sem ampliar o desmate. “Vamos trabalhar com práticas que não agridem a natureza, mas que aumentem a produtividade e melhorem a qualidade de vida dessas famílias”, afirmou Altemar. O plano também prevê apoio para inserir os beneficiários em políticas públicas e mercados institucionais, com encaminhamento a linhas como o Pronaf e programas como PAA e PNAE, além de regularização documental e orientação para acesso a programas governamentais.
A formação reúne cerca de 20 profissionais e inclui metodologias de atuação em comunidades de difícil acesso. O engenheiro agrônomo e extensionista Ideufonso Silva afirmou que o atendimento deve alcançar agricultores familiares, ribeirinhos, extrativistas e povos indígenas, com orientação desde a produção até o manejo sustentável de recursos naturais. Entre as frentes previstas estão apicultura, piscicultura, manejo de espécies nativas como açaí, buriti e patauá, além de hortaliças e artesanato, com foco no uso de áreas já abertas, sem queima e sem abertura de novas áreas.
A capacitação é conduzida por Viviane Lage e Rossandra Andrade, da Anater. Rossandra afirmou que a estratégia prioriza a construção conjunta dos projetos com as famílias. “Não se trata de fazer para as famílias, mas com elas. Vamos desenvolver projetos produtivos e socioambientais de forma integrada, fortalecendo o que já existe”, disse, ao citar a necessidade de ampliar conectividade e equipamentos para monitoramento e apoio ao trabalho em campo.
No modelo definido para a parceria, 70% dos recursos vêm da Anater e 30% entram como contrapartida da Emater. Com a equipe em formação e o cronograma de atendimento nas unidades de conservação, a expectativa é que as ações se traduzam em geração de renda e acesso a políticas públicas, ao mesmo tempo em que fortaleçam práticas produtivas compatíveis com a manutenção da floresta.








