Ministério da Saúde fixa meta de eliminar malária até 2035 e reforça estratégia no Acre durante oficina no Juruá

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O Ministério da Saúde levou a Cruzeiro do Sul, no Acre, a cobrança por um salto no ritmo de combate à malária para que a Região Norte chegue a 2035 com a transmissão interrompida. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (24), durante oficina regional realizada no Senac, com participação do consultor especial da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, Luiz Augusto Facchini, e gestores da terceira regional de saúde, que reúne municípios do Vale do Juruá e também Guajará, no Amazonas.

A meta integra o “Elimina Malária Brasil”, plano nacional publicado pelo governo federal em 2022, que estabeleceu marcos intermediários para reduzir a doença de forma sustentada: chegar a menos de 68 mil casos autóctones até 2025, zerar óbitos e eliminar a transmissão por Plasmodium falciparum até 2030 e, ao final do ciclo, eliminar a malária no território brasileiro até 2035.

Na oficina no Juruá, Facchini afirmou que a redução de casos nos últimos anos abriu espaço para acelerar o controle, mas que os indicadores no Acre ainda ficam abaixo do necessário para cumprir o cronograma, exigindo atuação coordenada entre vigilância e atenção básica. “Ainda estamos aquém da meta, mas temos oportunidade de poder superar esses desafios. A expectativa é que até 2035 se possa eliminar a malária aqui na região Norte”, disse, ao defender integração das frentes locais para sustentar a queda e evitar recrudescimentos.

A estratégia federal aposta no mesmo arranjo para outras endemias que pressionam a rede, sobretudo arboviroses como a dengue. Facchini disse que a articulação entre vigilância e atendimento assistencial fortalece a capacidade de resposta do sistema, com impacto direto no diagnóstico rápido, no tratamento oportuno e na interrupção de cadeias de transmissão.

No Acre, o plano nacional vem sendo tratado como eixo de gestão estadual. Em 2025, o governo estadual informou ter recebido equipe técnica do Ministério da Saúde para discutir medidas e ações emergenciais e reiterou como metas a interrupção da transmissão por P. falciparum até 2030 e a eliminação até 2035.

O plano federal parte do diagnóstico de que a doença permanece concentrada na Amazônia, com necessidade de ações contínuas em territórios de maior vulnerabilidade e em áreas de circulação populacional intensa, onde atrasos no diagnóstico e no tratamento favorecem surtos e sobrecarga de serviços. A política também reforça que o êxito depende de coordenação permanente entre estados e municípios, com metas pactuadas e acompanhamento sistemático.

Com a meta de 2035 no horizonte, a agenda no Juruá mira a etapa mais difícil do controle: manter a queda de casos sem perda de vigilância, garantindo testagem, tratamento e busca ativa em áreas de risco. O avanço ou a frustração desse cronograma tende a definir, na prática, o impacto sobre internações, afastamentos do trabalho e pressão sobre a rede pública em municípios amazônicos que convivem com a doença há décadas.

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