Bocalom diz que perdeu espaço no PL e usa agenda no PSDB para reposicionar discurso no Acre

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, afirmou que perdeu espaço no Partido Liberal e que a falta de abertura dentro da legenda pesou para sua mudança de rota política no Acre, num momento em que ele também passou a tratar publicamente do desenho de uma candidatura ao governo em 2026. A declaração veio durante uma visita à sede do PSDB, na capital, onde ele reforçou a saída do PL como consequência de um bloqueio interno e procurou amarrar o movimento a uma reorganização do seu grupo para a próxima eleição.

Ao explicar a decisão, Bocalom disse que não foi aceito como pré-candidato ao Palácio Rio Branco e que, diante disso, precisou buscar um novo caminho partidário. “Fui procurando uma nova casa”, afirmou, ao vincular a troca ao ambiente interno do PL. Na mesma agenda, ele recuperou símbolos e memórias do PSDB e retomou referências do período em que esteve ligado ao partido, incluindo menções a Fernando Henrique Cardoso e ao histórico de disputas contra o PT, num aceno a uma base política que se orienta por identidade e por marcas de embates antigos no estado.

No dia seguinte, Bocalom tratou de outra peça central do tabuleiro de 2026: disse que não tem pressa para definir quem será o vice e que a prioridade agora é formar chapas de deputado federal e estadual. “Não há discussão sobre vice, por enquanto. Isso vamos discutir lá para agosto. Não é agora”, declarou. Ao justificar o cronograma, ele afirmou que prefere consolidar primeiro a estrutura eleitoral do grupo, com nominatas competitivas e alianças, e só depois discutir a composição da chapa majoritária. “Agora é chapa de federal e estadual. Não há nenhum nome definido ainda, e não tenho pressa para isso. Vai passar muita água debaixo da ponte. Vamos ver como será, quem cai e quem sobe”, disse.

A estratégia coloca Bocalom numa disputa de bastidores que já acelerou em outras frentes, com adversários e aliados se movimentando para atrair partidos e nomes para as chapas proporcionais, etapa que costuma definir musculatura política e tempo de campanha. Ao deixar a vice para o segundo semestre e concentrar o foco em deputados, o prefeito tenta ampliar sua margem de negociação e manter o controle do ritmo da pré-campanha, enquanto o rearranjo de forças no campo da direita e do centro no Acre tende a se intensificar nos próximos meses, com impacto direto no desenho de coligações e palanques para 2026.

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