O Rio Juruá chegou a 13,42 metros em Cruzeiro do Sul nesta segunda-feira (30 de março de 2026) e voltou a sair da calha após a sequência de chuvas fortes que atingiu a região. A marca mantém o rio acima da cota de transbordamento de 13,00 m no município e ampliou o alerta para novas áreas alagadas, com equipes em prontidão para atender ocorrências em bairros ribeirinhos e ramais.
Com a elevação, 16 bairros e comunidades já foram listados entre os pontos atingidos. Na área urbana, o avanço da água alcançou trechos de Várzea, Olivença, Mitirizal, Beira Rio, Lagoa, Manoel Terças, Cruzeirinho e São Salvador. Na zona rural, houve impacto em Tapiri, Praia Grande, Laguinho, Florianópolis, Laguinho do Carvão, Estirão do Remanso, São Luiz e Lago do Sacado, com registro de alagamentos em áreas baixas e dificuldades de acesso em locais próximos às margens.
A Defesa Civil municipal manteve o acompanhamento do nível e trabalha com a possibilidade de nova subida, puxada pela cheia em trechos acima da sede do município. “O rio tende a subir porque em Marechal continua enchendo”, afirmou o coordenador Júnior Damasceno, ao explicar a pressão que chega do alto curso. Segundo ele, as retiradas costumam ocorrer quando o rio alcança patamares mais altos, a partir de 13,70 metros, dependendo da velocidade de avanço da água nos bairros mais vulneráveis.
A cheia também provocou medida preventiva na rede elétrica. Com áreas alagadas no Ramal Boca do Moa, a concessionária Energisa interrompeu o fornecimento em 17 imóveis para reduzir o risco de choque e curto-circuito. O gerente Loureman Azevedo orientou que, em caso de inundação em residências ou estabelecimentos, moradores não devem tocar em instalações elétricas e precisam desligar o disjuntor interno.
No monitoramento hidrológico, o boletim diário da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) registrou o Rio Juruá em 13,22 metros na estação de Cruzeiro do Sul nesta segunda-feira, mantendo o rio em faixa de alerta. A diferença em relação às leituras locais ocorre por horários e rotinas de medição, mas os dados convergem para o mesmo quadro de cheia em andamento e risco de avanço sobre áreas ribeirinhas.
Com o rio acima do limite, o impacto imediato tende a se concentrar em bairros de menor cota e comunidades às margens, com possibilidade de interrupção de serviços, perdas materiais e necessidade de deslocamentos emergenciais caso o nível se aproxime das marcas que acionam retirada de moradores.








