Estreito de Ormuz: Irã libera passagem de navios com bens humanitários em meio à guerra

O governo do Irã comunicou às autoridades portuárias responsáveis pelo Estreito de Ormuz que deve ser autorizada a passagem de navios que transportem bens humanitários, em mais um movimento para modular o controle da rota marítima após a escalada militar iniciada por Estados Unidos e Israel contra Teerã. A medida foi divulgada nesta sexta-feira, 4 de abril de 2026, e prevê que empresas ligadas a esse tipo de transporte recebam uma carta formal com a permissão para cruzar o estreito.

O Estreito de Ormuz virou o principal ponto de tensão logística do conflito porque é controlado pelo Irã e concentra parte decisiva do fluxo global de energia. A rota liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e responde pelo transporte de cerca de 20% do petróleo bruto produzido no mundo, segundo a agência estatal iraniana Tasnin, citada na comunicação sobre a liberação humanitária.

Com o início dos bombardeios, Teerã chegou a interromper a navegação e ameaçou atacar embarcações que tentassem atravessar, o que pressionou as cotações do petróleo no mercado internacional. Depois, o Irã voltou a permitir a passagem de navios com bandeiras de países classificados como “não hostis”, isto é, nações que não participem nem apoiem as ações militares de Israel e dos Estados Unidos. Desde quinta-feira (2), embarcações da França, de Omã e do Japão cruzaram o estreito.

Do lado americano, o presidente Donald Trump mencionou publicamente a hipótese de “abrir a passagem à força” para liberar o trânsito de petroleiros, em um plano que incluiria ataques a usinas de energia no Irã até a reabertura de Ormuz, mas depois alterou o tom ao transferir a responsabilidade do acesso aos países que dependem da via. “Os Estados Unidos importam quase nenhum petróleo pelo Estreito de Ormuz — e não importarão no futuro. Não precisamos disso”, disse Trump.

A decisão iraniana de liberar especificamente cargas humanitárias mantém Ormuz no centro das negociações e do risco ao comércio global, ao mesmo tempo em que busca limitar impactos sobre suprimentos essenciais. A movimentação também reforça a tendência de autorizações seletivas, com efeitos diretos sobre a previsibilidade do transporte marítimo e a estabilidade de preços de energia e fretes nas próximas semanas.

Fonte: Agência Brasil

Whats-App-Image-2025-10-10-at-16-30-53