Dois parques nacionais brasileiros viraram tema de uma exposição na Alemanha que reúne imagens e produções artísticas para apresentar a biodiversidade protegida no País. A mostra Tesouros Verdes do Brasil – Diversidade Tropical sob a Proteção dos Parques Nacionais foi montada no centro de visitantes do Parque Nacional da Floresta Negra e entrou em cartaz em 19 de março, com duração prevista de seis meses, com foco no Parque Nacional do Itatiaia, na Mata Atlântica, e no Parque Nacional do Pico da Neblina, na Amazônia.
A exposição também abriu caminho para cooperação técnica entre Brasil e Alemanha. O chefe do Parque Nacional do Pico da Neblina, Cassiano Augusto Ferreira Rodrigues Gatto, afirmou que a parceria facilita a aproximação entre unidades de conservação e deve avançar em projetos de pesquisa e em turismo de base comunitária com participação de comunidades indígenas. No caso do Pico da Neblina, metade da área está dentro da Terra Indígena Yanomami, o que condiciona a gestão do parque a acordos com as comunidades. “Tudo o que a gente faz lá é baseado em acordos com comunidades e parcerias com outras instituições”, disse.
Entre os objetivos colocados na mesa está o fortalecimento do monitoramento ambiental. Gatto comparou a estrutura do parque alemão — com centenas de estações de monitoramento em 10 mil hectares — com a realidade do Pico da Neblina, que não tem estações de monitoramento em uma área de 2,3 milhões de hectares. “A gente quer trazer essa expertise e esse apoio técnico-financeiro para dentro do parque, para começar o monitoramento de fauna e flora e de animais ameaçados”, afirmou.
No Parque Nacional do Itatiaia, o chefe da unidade, Felipe Mendonça, disse que a participação reforça a presença internacional das unidades de conservação e reconhece ações de educação ambiental e inclusão realizadas com comunidades do entorno. “Esse diálogo entre países só fortalece mais a nossa gestão do parque e do ICMBio, como um todo, com a troca de experiências”, afirmou. A agenda de troca prevê temas como monitoramento ambiental e manejo integrado do fogo, com possibilidade de colaboração em protocolos e práticas de gestão aplicadas a diferentes biomas.
A articulação da iniciativa começou a ganhar forma após uma parceria fechada durante a COP30, realizada em novembro de 2025, em Belém, com a proposta de intercâmbio de experiências na administração de áreas protegidas e em práticas sustentáveis. A exposição também trata do papel das florestas na regulação do clima global e discute impactos relatados na Alemanha, como a diminuição de dias de neve, dificuldades com espécies nativas e a ocorrência de incêndios florestais, tema sensível para a região da Floresta Negra.
Parte do material apresentado pelo Itatiaia inclui desenhos de crianças de escolas públicas do entorno que participam de programas de visitação, além de trabalhos de jovens e adultos com deficiência intelectual atendidos pela APAE. O Pico da Neblina levou produções feitas com crianças Yanomami. A expectativa dos gestores é que o intercâmbio avance para atividades educativas envolvendo também crianças alemãs e para exposições futuras no Brasil, enquanto as equipes iniciam reuniões e definições de protocolos para projetos conjuntos de pesquisa e gestão.








