A Prefeitura de Rio Branco intensificou nesta semana uma força-tarefa para responder às enxurradas que atingiram a Baixada da Sobral e outros pontos da cidade, com ações de assistência social, limpeza urbana e preparação de intervenções de drenagem. Em dois dias seguidos, a gestão reuniu secretariado e lideranças comunitárias de 12 bairros afetados e manteve equipes em regime de plantão, com retirada de entulho, monitoramento de áreas de risco e encaminhamentos para medidas que avancem além do atendimento emergencial.
Na terça-feira, 14 de abril de 2026, representantes de comunidades atingidas participaram de uma reunião na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana para apresentar demandas e alinhar respostas imediatas e estruturais. O secretário Cid Ferreira afirmou que as soluções estão sendo construídas com participação dos moradores e que a prefeitura vai levar ao Ministério Público do Estado encaminhamentos sobre ocupações irregulares em áreas de preservação permanente, apontadas como fator que agrava alagamentos ao dificultar o fluxo da água. “A solução está sendo construída junto com a comunidade. Precisamos também do apoio do Ministério Público para avançar em questões como construções irregulares, que acabam impedindo o fluxo da água”, disse.
No relato das lideranças, o bairro João Paulo concentrou parte dos casos mais graves. O presidente da comunidade, Everton Rodrigues, atribuiu os alagamentos a um conjunto de fatores, citando enxurradas no Igarapé Sobral, intervenções irregulares, questões ambientais e descarte inadequado de lixo. Ele também cobrou a conclusão de uma terceira galeria de drenagem e descreveu o impacto do episódio. “Foi um caos. Praticamente todas as casas foram atingidas. Em qualquer chuva mais intensa, a água já entra nas residências”, afirmou.
Na quarta-feira, 15 de abril de 2026, a prefeitura concentrou parte das ações na Baixada da Sobral e informou que a operação já alcança 12 bairros, com atendimento estimado a cerca de 1.500 famílias. Na frente social, a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos ativou o Projeto Recomeço para reposição de móveis essenciais a moradores que perderam bens, além de ferramentas como o Cartão do Bem e auxílio-moradia para situações de maior vulnerabilidade. “Estamos em busca ativa desde o primeiro momento. Nossa prioridade é garantir que ninguém fique desamparado, utilizando ferramentas como o Cartão do Bem e o auxílio moradia para os casos de maior vulnerabilidade”, disse o secretário Ivan Ferreira.
Ao mesmo tempo, equipes da Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade atuaram na desobstrução de ruas e canais, com foco em melhorar o escoamento e reduzir novos impactos das chuvas. Segundo a prefeitura, cerca de 100 toneladas de entulho foram retiradas em duas semanas na região da Sobral. “Esse é um trabalho permanente. Só nas últimas duas semanas já retiramos mais de 100 toneladas de entulho. As equipes estão atuando de domingo a domingo”, afirmou o secretário Tony Roque.
Moradores cobram há décadas intervenções mais amplas para reduzir alagamentos na Baixada da Sobral. Liderança comunitária há 45 anos, Maria Guedes disse que a presença integrada das equipes mudou a dinâmica do atendimento e associou a expectativa de melhora ao cronograma de obras no período de estiagem. “Pela primeira vez vemos uma equipe completa acompanhando de perto. Acreditamos que, com as obras prometidas para o verão, o próximo inverno será de mais tranquilidade”, afirmou.
Durante visita técnica, o prefeito Alysson Bestene afirmou que a resposta emergencial é a primeira etapa de um plano com medidas de drenagem mais profunda, incluindo limpeza mecanizada de igarapés, retirada contínua de sedimentos e projetos de engenharia para enfrentar pontos históricos de alagamento. “Não queremos apenas limpar a lama; queremos resolver a causa. Estamos unindo o imediato — que é a comida no prato e o móvel em casa — com o futuro, que é uma infraestrutura capaz de suportar o volume de águas da nossa região”, disse. A prefeitura informou que novas reuniões devem ocorrer com órgãos de controle e lideranças comunitárias para consolidar um plano de ação com medidas imediatas e soluções de longo prazo, enquanto a Defesa Civil segue monitorando áreas de risco até o início das obras previstas para a estiagem.








