Na edição de 16 de abril de 2026 do programa Gazeta Entrevista, da TV Gazeta do Acre, o jornalista, escritor e humorista Antônio Klemer fez um passeio por temas que marcam sua trajetória: a formação cultural do Acre, o jeito acreano de falar e viver, o potencial turístico do estado e os novos projetos autorais que pretende levar ao ambiente digital.
Ao longo da conversa, Klemer defendeu que a identidade acreana precisa ser vista não como folclore menor, mas como patrimônio cultural. Em uma de suas imagens mais fortes, resumiu essa mistura de origens e costumes com humor: “o Acre é um filho do Ceará que saiu de casa para morar na floresta”. Na sequência, reforçou o vínculo afetivo com o estado ao brincar que, “se o Acre tivesse mar”, o acreano talvez nem sentisse vontade de sair daqui.
A entrevista também trouxe uma crítica à forma como o próprio estado se apresenta para fora. Para Klemer, o Acre tem qualidades humanas e culturais que ainda são mal aproveitadas quando o assunto é turismo e imagem pública. “Ninguém atende tão bem quanto o acreano”, afirmou. Logo depois, completou: “quando a gente vai vender o nosso turismo, a gente não vende essa imagem boa que tem aqui”.
Outro eixo da conversa foi a defesa da cultura local como ferramenta de memória. Conhecido nacionalmente pelo trabalho com o chamado acreanês, Klemer voltou a associar humor e linguagem popular como formas de preservar a experiência do povo acreano. Ao falar de seus projetos atuais, disse que segue apostando nessa linha: “Eu tô com um projeto chamado KlemerVerso. Eu insisto ainda em jornalismo com humor”.
No fim da entrevista, ele ligou esse novo momento ao sentimento de pertencimento que atravessa sua obra. Ao comentar relançamentos e conteúdos que pretende disponibilizar também no meio digital, Klemer associou o trabalho ao que chamou de amor pelo estado, em uma fala que resume o tom da entrevista: memória, ironia e identidade caminhando juntas. Mais do que anunciar um projeto, o humorista reiterou que continua transformando o vocabulário, os costumes e as contradições do Acre em matéria-prima para informar, divertir e preservar.








