Os planos de saúde coletivos tiveram reajuste anual médio de 9,9% em janeiro e fevereiro de 2026, percentual calculado a partir dos aumentos aplicados pelas operadoras no período e divulgado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na sexta-feira, 8 de maio. A taxa é a menor para o começo do ano em cinco anos, mas ficou acima da inflação oficial: em fevereiro, o IPCA acumulado em 12 meses estava em 3,81%.
A série histórica da ANS mostra que a última vez em que a média no início do ano ficou abaixo do patamar atual foi em 2021, quando os planos coletivos subiram 6,43%, em meio à pandemia de covid-19 e à redução na realização de consultas, exames e cirurgias eletivas. Depois disso, os reajustes voltaram a acelerar: 11,48% em 2022, 14,13% em 2023, 13,18% em 2024 e 10,76% em 2025, até recuarem para 9,90% em 2026.
Entidades de defesa do consumidor, como o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), criticam aumentos acima da inflação, mas a ANS sustenta que a comparação direta não reflete a dinâmica do setor. “O percentual calculado pela ANS considera aspectos como as mudanças nos preços dos produtos e serviços em saúde, bem como as mudanças na frequência de utilização dos serviços de saúde”, informou a agência reguladora.
Diferentemente dos planos individuais e familiares — cujo reajuste anual é definido pela ANS —, os coletivos têm aumento negociado entre a pessoa jurídica contratante e a operadora ou administradora. Ainda assim, a agência acompanha o comportamento dos percentuais, com recortes por porte: nos dois primeiros meses de 2026, os planos com 30 ou mais beneficiários tiveram alta média de 8,71%, enquanto os contratos com até 29 pessoas registraram 13,48%. A ANS informou que 77% dos beneficiários estão em planos com 30 ou mais vidas.
Os dados mais recentes do setor, referentes a março de 2026, indicam 53 milhões de vínculos de planos de saúde no país — uma mesma pessoa pode ter mais de um contrato —, crescimento de 906 mil em um ano. Desse total, 84% estavam em planos coletivos. Em 2025, as operadoras de saúde suplementar somaram receitas de R$ 391,6 bilhões e lucro líquido acumulado de R$ 24,4 bilhões, o maior já registrado, o que equivale a cerca de R$ 6,20 de lucro para cada R$ 100 recebidos.







