O governo do Acre ampliou as ações de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce da hipertensão arterial nas cinco regionais do estado, em meio à mobilização pelo Dia Mundial da Hipertensão Arterial Sistêmica, lembrado neste domingo, 17. A estratégia envolve capacitações com equipes de saúde, busca ativa de pacientes e acompanhamento contínuo na atenção primária para reduzir riscos de AVC, infarto, insuficiência renal e outras complicações cardiovasculares.
A hipertensão é diagnosticada quando a pressão arterial atinge valores iguais ou superiores a 140/90 mmHg, a chamada 14 por 9. A doença costuma avançar sem sintomas e pode comprometer órgãos como coração, rins, cérebro e olhos quando não recebe controle adequado. Por isso, a Secretaria de Estado de Saúde tem reforçado o papel das unidades básicas como porta de entrada para identificação e acompanhamento dos pacientes.
As ações são conduzidas pelo Núcleo de Prevenção de Doenças Crônicas do Departamento de Atenção Primária à Saúde. O trabalho inclui capacitação de profissionais dos municípios, orientação sobre protocolos clínicos e organização do fluxo de atendimento para pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado de pressão alta.
“A HAS é uma doença crônica não transmissível muito importante e que precisa ser acompanhada. Nós seguimos todos os protocolos instituídos pelo Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Cardiologia e instituições renomadas, em nível internacional, para o rastreamento desse paciente, em conjunto com a equipe multidisciplinar”, afirmou o médico Aldemir Victor.
O rastreamento começa com a atuação dos agentes comunitários de saúde, que fazem a busca ativa, verificam os níveis de pressão e encaminham os pacientes para as unidades básicas. A partir da avaliação inicial, podem ser solicitados exames como Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial, feita por 24 horas, ou Monitorização Residencial da Pressão Arterial, usada para confirmar o comportamento da pressão fora do consultório.
Segundo Aldemir Victor, o acompanhamento varia conforme a classificação da hipertensão e pode ocorrer em consultas mensais ou semestrais. Em alguns casos, exames complementares são necessários para avaliar possíveis danos causados pela doença. “Existe uma série de exames que precisam ser realizados nesses pacientes, porque a hipertensão não é uma doença focal, ela é sistêmica, então pode afetar desde os olhos até o coração”, disse.
Entre os exames usados no acompanhamento estão retinografia, eletrocardiograma, raio-x e testes laboratoriais. A pressão alta não tem cura, mas pode ser controlada com tratamento médico, uso correto de medicamentos e mudanças no estilo de vida. Entre as recomendações estão manter peso adequado, reduzir o consumo de sal, praticar atividade física, parar de fumar, moderar o consumo de álcool e evitar alimentos gordurosos.
A qualificação das equipes também busca melhorar a resposta em casos de crise hipertensiva, quando o paciente procura unidades de pronto atendimento ou o Pronto-Socorro. Para a coordenadora estadual da Rede de Atenção às Pessoas com Câncer, Glecilia Mendes, a formação permanente dos profissionais amplia a capacidade de manejo da doença nos municípios.
“Sempre buscamos levar médicos e cardiologistas para atualizar os profissionais da saúde, tanto dos hospitais quanto da atenção básica, para que as equipes saibam como manejar os pacientes hipertensos na atenção primária, que é a porta de entrada dos pacientes. Em casos de crises hipertensivas, quando o paciente procura diretamente as Unidades de Pronto Atendimento ou até mesmo o Pronto-Socorro, as equipes estarão preparadas para realizar o atendimento adequado, pois foi feita capacitação com todos esses profissionais”, afirmou Glecilia.
A hipertensão tem origem hereditária em cerca de 90% dos casos, mas fatores como tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, estresse, ingestão elevada de sal, colesterol alto e sedentarismo aumentam o risco. A incidência também é maior entre pessoas negras, diabéticos e idosos acima de 65 anos. A doença atinge mais mulheres no conjunto da população, enquanto entre os jovens aparece com maior frequência em homens.
Os sintomas costumam surgir apenas quando a pressão chega a níveis mais altos. Dor no peito, dor de cabeça, tontura, zumbido no ouvido, visão embaçada e sangramento nasal estão entre os sinais que exigem atenção. A orientação dos serviços de saúde é medir a pressão regularmente, manter acompanhamento nas unidades básicas e procurar atendimento diante de sintomas ou histórico familiar da doença.








