Acre decreta emergência em saúde por avanço da SRAG e superlotação de UTIs

O governo do Acre decretou situação de emergência em saúde pública em todo o estado após o aumento dos casos de síndrome respiratória aguda grave, das internações e da ocupação de leitos, principalmente na rede pediátrica. A medida tem prazo inicial de 90 dias e foi adotada para acelerar a resposta da rede estadual diante da pressão sobre hospitais e unidades de referência.

Com o decreto, a Secretaria de Estado de Saúde passa a centralizar as ações de enfrentamento, com prioridade para reforço da assistência, reorganização do atendimento e ampliação da capacidade de resposta da rede. O objetivo é reduzir o impacto do avanço das doenças respiratórias sobre o sistema público, que já opera sob forte demanda.

Entre janeiro e maio deste ano, o Acre somou 1.303 notificações de SRAG, número acima do registrado no mesmo período dos anos anteriores. A situação mais crítica está no atendimento infantil. A ocupação chegou a 91,9% na UTI Pediátrica 1, 89,2% na UTI Pediátrica 2 e 87,7% nas enfermarias pediátricas, quadro que levou o estado a adotar medidas emergenciais para evitar colapso no atendimento.

A circulação simultânea de vírus respiratórios agravou o cenário. Entre os agentes identificados estão influenza A, vírus sincicial respiratório, rinovírus, adenovírus e metapneumovírus. Crianças menores de 2 anos e idosos aparecem entre os grupos com maior risco de agravamento. Até o fim de maio, o estado havia registrado 37 mortes por SRAG em 2026, sendo 14 entre crianças na primeira infância.

O interior também entrou no radar das autoridades sanitárias. Em Feijó, foram registradas nove mortes por SRAG neste ano, seis delas de crianças indígenas. O avanço dos casos fora da capital ampliou o alerta da vigilância em saúde e reforçou a necessidade de uma resposta coordenada em todo o estado.

A decretação da emergência permite ao governo agilizar medidas administrativas e assistenciais para enfrentar a alta de casos e tentar conter a sobrecarga nas unidades de saúde. A prioridade, agora, é ampliar a capacidade de atendimento e evitar que a pressão sobre os leitos se agrave nas próximas semanas.

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