A carne bovina se tornou, em 2026, o principal item de pressão no orçamento alimentar das famílias de Rio Branco, no Acre, com peso próximo de 40% no custo da cesta básica e altas que chegaram a dois dígitos em cortes vendidos no varejo. O impacto ocorre em meio ao avanço do preço dos alimentos na capital acreana, onde a cesta básica chegou a R$ 689,11 em maio e passou a exigir quase metade da renda líquida de um trabalhador que recebe salário mínimo.
O peso da proteína aparece de forma mais clara no recorte de março, quando a carne representou R$ 255,95 do custo total da cesta básica, equivalente a cerca de 39,5% das despesas com alimentos essenciais. Nenhum outro produto teve participação semelhante. Café em pó, leite, banana e pão francês ficaram distantes do impacto provocado pela carne no orçamento doméstico.
Em maio, a cesta básica de Rio Branco subiu 3,29% em relação a abril. No acumulado de 2026, o avanço chegou a 10,06%. A carne bovina de primeira subiu 1,64% no mês, 15,65% em 12 meses e 11,25% no acumulado do ano, mantendo-se entre os itens que mais pesam na percepção de encarecimento da alimentação.
A pressão sobre o consumidor contrasta com a força da pecuária no estado. O Acre tem um rebanho bovino estimado em 5,1 milhões de cabeças, volume muito superior à população estadual. Mesmo assim, o preço final ao consumidor segue pressionado por custos de transporte, reposição de animais, insumos, combustíveis, clima e disputa com mercados fora do estado.
Nos supermercados e açougues, a diferença de preços entre cortes também ampliou o desafio para quem busca economizar. Levantamentos recentes apontaram altas expressivas em cortes como filé, alcatra, contrafilé, agulha e fraldinha, com reajustes que chegaram a 24% em determinados períodos de amostragem.
A alta da carne tem efeito direto sobre famílias de baixa renda porque reduz a margem para substituição dentro da própria cesta alimentar. Produtos como óleo de soja, café, açúcar, farinha de mandioca, banana e manteiga tiveram queda em maio, mas o recuo desses itens não foi suficiente para neutralizar o peso da proteína no orçamento.
Em maio, um trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisou trabalhar 93 horas e 32 minutos para comprar a cesta básica em Rio Branco. Considerando o salário mínimo líquido, após desconto previdenciário, a compra dos alimentos comprometeu 45,96% da renda mensal.
O movimento reforça a distância entre produção agropecuária e preço final ao consumidor. No Acre, a carne sai de uma cadeia produtiva forte, mas chega ao balcão sob influência de custos regionais, logística amazônica e comportamento do mercado nacional. Para o consumidor, o resultado aparece de forma direta na feira, no açougue e no supermercado.







