Adolescentes que cumprem medida socioeducativa no Acre participam, neste mês de julho, da 5ª edição do programa Caminhos Literários no Socioeducativo, com atividades culturais em unidades de Rio Branco, Brasileia e Cruzeiro do Sul. A programação, realizada nos dias 2, 3, 7 e 8 de julho, leva poesia, literatura, música, arte, hip hop, batalhas de rimas e oficinas de grafite aos centros socioeducativos como parte de uma ação nacional voltada ao acesso à cultura e à educação.
No Acre, as atividades envolvem jovens das unidades Mocinha Magalhães, em Rio Branco, Alto Acre, em Brasileia, e Juruá, em Cruzeiro do Sul. A abertura ocorreu na quinta-feira, 2, em formato virtual, com transmissão para unidades socioeducativas de todo o país.
A edição deste ano tem como tema “Resistir em batida, verso, corpo e traço”. A proposta é usar a cultura como direito e instrumento de reconstrução de vínculos, fortalecimento da identidade e criação de novos projetos de vida entre adolescentes atendidos pelo sistema socioeducativo.
Na abertura nacional, o presidente do Conselho Nacional de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, afirmou que a cultura tem papel central na formação dos jovens. “A cultura é um direito fundamental e também uma forma mais poderosa de construir a nossa identidade. Quando alguém lê um livro, escreve uma letra de música, desenha, dança ou decifra um beat, está fazendo algo muito sério, está produzindo sentido para a própria vida. E nós acreditamos que todo jovem, toda jovem, inclusive quem cumpre medida socioeducativa, é capaz de produzir conhecimento, artes e novos projetos de vida”, disse.
A programação local começou na sexta-feira, 3. Na unidade Mocinha Magalhães, em Rio Branco, ocorreu a roda de conversa “Batom e Beat”, com representantes femininas da cena hip hop acreana. Em Cruzeiro do Sul, no Centro Socioeducativo Juruá, os adolescentes participaram de batalhas de rimas e oficina de grafite na Biblioteca Pública Estadual. Em Brasileia, no Alto Acre, a agenda teve roda de conversa, batalha de rimas, exibição de vídeo e oficina de grafite.
A vice-presidente do Tribunal de Justiça do Acre e coordenadora da Coordenadoria da Infância e Juventude, desembargadora Regina Ferrari, afirmou que projetos culturais dentro do sistema socioeducativo cumprem o que está previsto em lei e ampliam as possibilidades de mudança na trajetória dos adolescentes. “A educação é o caminho para a transformação, com ações culturais que promovem leitura, música e arte, as jovens e os jovens podem construir novos vínculos, com mais possibilidade e caminhos”, declarou.
O Caminhos Literários integra o Programa Fazendo Justiça, do Conselho Nacional de Justiça, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. No Acre, as ações são organizadas pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo e pela Coordenadoria da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Acre, com apoio de órgãos ligados à socioeducação e à Rede de Proteção à Infância.
Nos dias 7 e 8 de julho, a programação continua dentro dos centros socioeducativos, com exibição de vídeos e outras atividades culturais. A iniciativa busca fortalecer a socioeducação por meio do acesso à cultura, à leitura, à arte e à educação.







