Oito terras indígenas do Acre estão mais vulneráveis ao crime organizado

Oito terras indígenas do Acre estão entre as áreas com vulnerabilidade considerada moderada-alta ao crime organizado. A classificação faz parte do Índice de Vulnerabilidade ao Crime Organizado (IVCO), ferramenta do Ministério da Justiça e Segurança Pública que reúne fatores territoriais, sociais, ambientais e institucionais associados à expansão de economias ilícitas e redes criminosas em territórios indígenas.

Entre as áreas acreanas incluídas nesse grupo estão territórios dos povos Kampa e Arara do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo, além de áreas Kampa e de povos isolados na região de Feijó. A situação também alcança o território Mamoadate, na região de Assis Brasil e Sena Madureira, e terras dos povos Kaxinawá e Kulina no alto Rio Purus, entre Santa Rosa do Purus e Manoel Urbano. Jaminawá do Igarapé Preto e Nukini, este último em Mâncio Lima, também aparecem no levantamento.

A localização de parte desses territórios perto da fronteira com o Peru amplia a exposição a rotas usadas por grupos envolvidos em atividades ilegais. Rios e caminhos pela floresta podem servir de corredores entre áreas isoladas da Amazônia, enquanto conflitos fundiários, degradação ambiental, violência e fragilidades na proteção territorial aumentam a vulnerabilidade das comunidades.

O cenário ganhou maior atenção após episódios recentes envolvendo o povo Ashaninka na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia. Em julho, homens armados e mascarados entraram na aldeia Apiwtxa e procuraram lideranças da comunidade. Moradores acionaram as autoridades, e o caso ampliou a cobrança por presença permanente do Estado na faixa de fronteira entre Brasil e Peru.

A região enfrenta pressões ligadas não apenas ao narcotráfico, mas também à extração ilegal de madeira e a outras atividades clandestinas que atravessam a fronteira. Lideranças indígenas têm cobrado reforço na fiscalização, proteção das comunidades e operações capazes de impedir que organizações criminosas avancem sobre áreas de floresta preservada.

O IVCO não representa, por si só, a confirmação de que cada terra indígena esteja controlada por organizações criminosas. O índice mede o grau de exposição dos territórios a um conjunto de fatores que favorecem a presença e a expansão dessas redes. A análise considera pressões ambientais, ameaças e violência, condições socioeconômicas, organização territorial e indícios de atividades ilícitas.

Na Amazônia, a ferramenta também busca ajudar no planejamento de ações de segurança e proteção territorial. O cruzamento dos dados permite localizar áreas mais expostas e direcionar políticas de enfrentamento às economias ilegais, especialmente em regiões de fronteira e em locais ocupados por povos indígenas isolados ou de recente contato.

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