O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou a Petrobras a perfurar três novos poços exploratórios no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas do Amapá. A decisão, emitida na quinta-feira (3), amplia a campanha iniciada com o poço Morpho e permitirá à estatal avaliar a extensão e o potencial comercial dos hidrocarbonetos encontrados na região.
Os novos poços foram denominados Manga, Crotalus e Morpho Extensão. A autorização ocorreu por meio de uma retificação da Licença de Operação nº 1684/2025, concedida inicialmente para o Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e a quase 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas.
A Petrobras terá 30 dias, a partir do recebimento da autorização, para apresentar ao Ibama um cronograma atualizado das perfurações. A licença também mantém exigências relacionadas ao monitoramento ambiental, controle de poluição, elaboração de relatórios e disponibilidade de equipamentos para fiscalização.
A ampliação da campanha ocorre após a Petrobras confirmar, em 14 de agosto, a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho. A descoberta ainda não significa que haverá produção de petróleo. As novas perfurações serão usadas para obter informações sobre o tamanho dos reservatórios, as características do óleo e a viabilidade econômica de uma eventual exploração comercial.
A área faz parte da Margem Equatorial brasileira, faixa que se estende pelo litoral das regiões Norte e Nordeste e reúne bacias sedimentares consideradas estratégicas pela indústria de petróleo. No Plano de Negócios 2026-2030, a Petrobras prevê investimentos de US$ 2,5 bilhões na Margem Equatorial e a perfuração de 15 poços na região.
O avanço das pesquisas ocorre em meio a questionamentos ambientais e judiciais. O Ministério Público Federal cobra explicações sobre a ampliação do projeto e a duração da campanha. O órgão afirma que informações apresentadas durante o processo de licenciamento apontaram inicialmente para uma atividade de aproximadamente seis meses, enquanto documentos posteriores passaram a prever operações envolvendo quatro poços entre 2025 e 2029.
O MPF também questiona os possíveis impactos acumulados das perfurações sobre a fauna marinha, a pesca artesanal e comunidades tradicionais da costa. Em janeiro deste ano, as atividades no poço Morpho foram interrompidas depois da perda de fluido de perfuração para o mar. O caso passou a ser acompanhado pelo Ibama.
A autorização dos três novos poços não permite a produção comercial de petróleo no bloco. Caso os estudos confirmem reservas economicamente aproveitáveis, uma eventual fase de produção dependerá de novas etapas de planejamento, investimentos e licenciamento ambiental.







