Criminosos estão usando ferramentas de comparação facial para localizar pessoas fisicamente parecidas e tentar assumir suas identidades em cadastros e abertura de contas no Brasil. A prática, conhecida como “golpe do sósia”, foi divulgada pela Serasa Experian em 2 de setembro de 2026, após ser identificada por sua equipe de inteligência analítica. O objetivo é aumentar as chances de superar sistemas de reconhecimento facial usados na validação de identidade.
A fraude começa com a busca por um rosto semelhante ao do próprio criminoso. Programas de comparação analisam imagens de diferentes bases, inclusive aquelas obtidas ilegalmente, até encontrar possíveis vítimas. A identidade escolhida pode então ser utilizada em uma tentativa de cadastro ou contratação de serviço. A empresa relata que essas ferramentas conseguem localizar rostos com até 99% de similaridade.
O método inverte a lógica de fraudes tradicionais. Em vez de escolher previamente uma pessoa e procurar formas de se passar por ela, o criminoso procura primeiro alguém parecido consigo. A semelhança física passa a orientar a escolha da identidade que será utilizada na tentativa de golpe.
A descoberta faz parte do Mapa da Fraude do primeiro semestre de 2026. No período, as soluções antifraude da Serasa Experian barraram 2,86 milhões de tentativas de fraude de identidade, crescimento de 32,9% em relação aos seis primeiros meses de 2025. O volume corresponde a uma ocorrência de alto risco a cada 5,5 segundos. As operações bloqueadas estavam associadas a um prejuízo potencial estimado em R$ 3,77 bilhões. Os números abrangem diferentes modalidades de fraude e não representam exclusivamente casos do golpe do sósia.
O diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, Leandro Bartolassi, afirma que a biometria não deve funcionar como barreira única de segurança. “A combinação de diferentes sinais, como validação documental, prova de vida, dados cadastrais e análise do dispositivo, ajuda a identificar inconsistências que uma única camada pode não capturar”, afirmou.
Para reduzir o risco, consumidores devem evitar divulgar fotografias de documentos ou selfies segurando documentos em redes sociais e aplicativos de mensagem. Dados pessoais e biométricos devem ser fornecidos apenas em ambientes oficiais e confiáveis. Pedidos inesperados de reconhecimento facial enviados por links, e-mails, mensagens ou códigos QR exigem cautela.
Também é recomendável proteger o celular e os aplicativos com senhas fortes e autenticação em dois fatores, manter os sistemas atualizados e acompanhar regularmente o CPF. Ao identificar contas, empréstimos, compras ou outros serviços desconhecidos, o consumidor deve procurar diretamente os canais oficiais da empresa envolvida.
Para as instituições, a prevenção exige combinar reconhecimento facial com conferência de documentos, prova de vida, análise cadastral e informações sobre o dispositivo utilizado. O cruzamento desses elementos pode revelar divergências mesmo quando o rosto apresentado tem grande semelhança com o da pessoa cuja identidade está sendo usada.







