Sarampo pode ser transmitido antes das manchas na pele; saiba identificar sintomas após casos no Acre

A confirmação de dois casos de sarampo em pacientes atendidos no Acre, na quinta-feira (8), colocou as autoridades de saúde em alerta para o risco de transmissão da doença. O vírus é altamente contagioso e pode ser transmitido antes mesmo do aparecimento das manchas vermelhas na pele, um dos sintomas mais conhecidos da infecção.

Os diagnósticos foram confirmados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os pacientes são uma criança de 11 meses e uma mulher de 30 anos, residentes em Puerto Maldonado, no Peru, que passaram por Assis Brasil e Brasileia antes de receber atendimento em Rio Branco.

Na última atualização divulgada, a criança permanecia internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado grave. A mulher também estava hospitalizada, mas sem sinais de gravidade. A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) investiga onde ocorreu a infecção e monitora possíveis contatos dos pacientes.

O sarampo é transmitido pelo ar, por meio de partículas respiratórias liberadas quando uma pessoa infectada fala, tosse, espirra ou respira. De acordo com o Ministério da Saúde, uma pessoa com a doença pode infectar até 90% dos indivíduos próximos que não estejam imunizados.

Os primeiros sintomas costumam surgir entre sete e 14 dias após o contato com o vírus. Febre alta, geralmente acima de 38,5 °C, tosse seca, coriza e irritação nos olhos estão entre os sinais iniciais. Depois, aparecem manchas vermelhas que normalmente começam no rosto e se espalham pelo restante do corpo.

Em alguns pacientes, também surgem pequenos pontos brancos na parte interna da boca, conhecidos como manchas de Koplik. A transmissão pode ocorrer desde seis dias antes até quatro dias depois do aparecimento das manchas na pele.

Embora muitos pacientes se recuperem, o sarampo pode provocar pneumonia, infecção no ouvido, diarreia intensa e encefalite, uma inflamação no cérebro. Crianças menores de cinco anos e pessoas com o sistema imunológico comprometido estão entre os grupos mais vulneráveis às complicações.

A persistência da febre após o surgimento das manchas, dificuldades respiratórias, convulsões ou sonolência excessiva são sinais que exigem atendimento médico urgente.

A principal forma de prevenção é a vacinação, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Pelo calendário nacional, a primeira dose é aplicada aos 12 meses e a segunda aos 15 meses, com o imunizante indicado para essa faixa etária.

Adultos também precisam conferir a situação vacinal. Pessoas de até 29 anos devem ter duas doses comprovadas, enquanto aquelas entre 30 e 59 anos precisam de pelo menos uma dose. Profissionais de saúde devem manter duas doses, independentemente da faixa etária. Gestantes não devem receber a tríplice viral durante a gravidez.

No Acre, equipes de vigilância anunciaram medidas de bloqueio vacinal em Brasileia e em unidades hospitalares de Rio Branco por onde passaram os pacientes. A vacinação é direcionada às pessoas com indicação, de acordo com a avaliação das equipes de saúde.

A Sesacre orienta que pessoas com febre, manchas vermelhas e sintomas respiratórios procurem atendimento e informem possíveis contatos com casos suspeitos ou viagens recentes. A confirmação dos dois diagnósticos não significa que exista transmissão comunitária do vírus no Acre.

 

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