Advogado teria pago R$ 40 mil para mandar matar médica em Brasileia, revela Polícia Civil

A Polícia Civil do Acre informou nesta sexta-feira (6) que o assassinato da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, em Brasileia, teria sido contratado por R$ 40 mil. O advogado Francisco Valadares Neto, ex-companheiro da vítima, é apontado como o mandante do crime. A informação foi divulgada pelo delegado Alex Dany, após o depoimento de Lucival Lopes de Souza, conhecido como “Pitaca”, que confessou ter executado a médica.

De acordo com a investigação, apenas R$ 10 mil do valor negociado seriam destinados ao autor dos disparos. Os outros R$ 30 mil teriam ficado com intermediários responsáveis por organizar a contratação do assassinato. A polícia já identificou algumas dessas pessoas e trabalha para esclarecer a participação de cada uma.

Lucival foi preso na quinta-feira (5), após a expedição de um mandado judicial. Durante interrogatório na manhã desta sexta-feira, ele admitiu a autoria do crime e apresentou detalhes sobre o pagamento.

O suspeito relatou ter recebido R$ 2 mil adiantados, com a promessa de outros R$ 8 mil após a execução. Durante as diligências, os policiais apreenderam R$ 700 em espécie, quantia que pode estar relacionada ao dinheiro recebido pelo investigado.

“Ele foi preso ontem, imediatamente após a decisão judicial de ordem de prisão, e, no interrogatório na manhã de hoje, confessa a autoria do crime como sendo executor da morte da doutora Elyne”, afirmou o delegado.

A investigação também avançou sobre a participação do advogado Francisco Valadares Neto. Durante uma operação em sua residência, os policiais encontraram o suspeito desacordado. Equipes da Polícia Penal precisaram arrombar o imóvel para prestar socorro, após perceberem a ausência de movimentação registrada pela tornozeleira eletrônica.

No local, foram encontrados medicamentos, uma substância semelhante à cocaína, cartas e um notebook com pesquisas relacionadas à morte da médica. O computador foi apreendido e será analisado. O telefone celular do advogado, considerado importante para a investigação, ainda não foi localizado.

Francisco Valadares Neto permanece hospitalizado e, devido ao seu estado de saúde, ainda não prestou depoimento. Por esse motivo, a Polícia Civil afirma que não é possível estabelecer a motivação do assassinato.

Embora a vítima e o advogado tenham mantido um relacionamento amoroso, os investigadores ainda não confirmaram se o rompimento ou possíveis desentendimentos anteriores tiveram relação direta com o crime.

Elyne foi morta a tiros na noite de segunda-feira (2), em Brasileia. O assassinato provocou comoção no município e mobilizou as forças de segurança para identificar os responsáveis.

Com a confissão do executor, a polícia concentra os esforços na identificação de todos os envolvidos na negociação e na coleta de provas que possam comprovar a participação do suposto mandante.

O delegado Alex Dany afirmou que a prisão representa uma etapa importante da investigação, mas que o inquérito continuará até o esclarecimento completo do crime.

 

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