A Prefeitura de Rio Branco criou um Grupo de Trabalho para avaliar o transporte coletivo e entregar, em até 30 dias, um diagnóstico com propostas de mudanças, em uma iniciativa que coloca o tema no eixo político da gestão do prefeito Alysson Bestene (PP) e amplia o envolvimento da Câmara Municipal na condução do processo. O colegiado foi instituído por decreto e reúne órgãos estratégicos do Executivo, sob coordenação do chefe de gabinete, Rutembergue Crispim, além do vereador Matheus Paiva, que passou a integrar formalmente a discussão como representante do Legislativo.
Ao anunciar a criação do grupo, Bestene afirmou que a prefeitura quer um retrato técnico do sistema para orientar decisões sobre eficiência, qualidade e segurança. “Estamos dando um passo importante para compreender, de forma técnica, a realidade do transporte coletivo em Rio Branco. A partir desse diagnóstico, será possível implementar soluções que garantam mais eficiência, qualidade e segurança à população”, disse.
A medida ocorre em um momento em que o transporte coletivo pressiona a agenda municipal e antecipa disputas sobre subsídio, tarifa e o formato da próxima concessão. Em entrevista nesta semana, Bestene tratou a tarifa zero como objetivo condicionado ao equilíbrio das contas e ao desenho de financiamento do sistema. “Hoje em dia em todo o sistema do Brasil tem o subsídio, que muitos é possível chegar até uma tarifa zero, desde que a gente tenha todo esse equilíbrio financeiro para adotar isso, e quem sabe é um sonho para a gente chegar mais adiante”, afirmou.
A estratégia política de Bestene para o tema vinha sendo construída desde o período em que ele atuou como prefeito em exercício. No fim de 2025, ele levou à Câmara um projeto para atualizar o marco regulatório do transporte coletivo, com a justificativa de modernizar regras e aumentar a atratividade de um novo processo licitatório. Na ocasião, também vinculou a reestruturação à cobrança por resultados e à fiscalização do serviço. “Todos os procedimentos estão sendo acompanhados conforme o contrato. Se houver irregularidades, as penalidades serão aplicadas. Nosso objetivo é assegurar um serviço de qualidade para a população”, declarou.
No mesmo contexto, Bestene defendeu a manutenção da tarifa em R$ 3,50 e relacionou o valor ao papel do município no custeio do sistema. “Mesmo com o aumento do diesel, conseguimos manter a passagem. A Prefeitura continua subsidiando parte dos custos para evitar que o peso recaia sobre o usuário. Nossa prioridade é o cidadão”, disse.
Agora, já como prefeito, Bestene tem vinculado o tema do transporte a uma agenda de entregas e a um discurso de continuidade do que foi iniciado na gestão anterior, liderada por Tião Bocalom, de quem era vice. Em entrevista publicada nesta semana, ele afirmou que vai manter o processo licitatório que já estava em andamento e citou a contratação de financiamento para renovar a frota. “A gente fez um convênio com a Caixa de 63 milhões para comprar esses ônibus”, afirmou, antes de completar: “Já já a gente vai ter ônibus novos para atender aqui a nossa cidade”.
Com o Grupo de Trabalho, a prefeitura concentra a produção do diagnóstico e a articulação política para sustentar as decisões seguintes, inclusive mudanças no modelo de contratação e na regulação do serviço. A presença de um vereador no colegiado dá à Câmara um lugar formal em um debate que tende a ganhar intensidade conforme avançarem as discussões sobre custos, subsídios e regras da futura concessão. Ao fim do prazo, o relatório deve orientar os próximos passos do Executivo e servir de base para medidas administrativas e, se necessário, novas iniciativas legislativas ligadas ao transporte coletivo em Rio Branco.








