Ato por vítimas de ataque no Instituto São José reúne centenas no Centro de Rio Branco

Centenas de pessoas participaram na tarde desta quinta-feira, 7 de maio de 2026, de uma caminhada no Centro de Rio Branco em homenagem às vítimas do ataque a tiros no Instituto São José. A mobilização começou em frente ao Palácio Rio Branco e seguiu até a escola, com participantes vestidos de branco, velas e mensagens de solidariedade às famílias e à comunidade escolar.

O ato ocorreu dois dias depois do ataque registrado na terça-feira, 5 de maio, dentro da unidade de ensino. Duas funcionárias morreram: Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, e Raquel Sales Feitosa, de 37. Outras duas pessoas ficaram feridas, uma funcionária e uma estudante de 11 anos, que foram levadas ao Pronto-Socorro de Rio Branco e estavam em quadro estável, segundo as autoridades estaduais.

A Polícia informou que o autor dos disparos é um adolescente de 13 anos, apreendido após o ataque. A apuração investiga como ele teve acesso à arma e se houve participação de terceiros. Autoridades indicaram que o armamento era de um responsável legal, que também foi detido, e que o conteúdo do celular do adolescente passou a integrar a investigação para verificar eventuais contatos, motivações e possível incentivo externo.

No percurso da caminhada, o professor aposentado Raimundo Ricardo, teólogo e pedagogo, disse que tem ligação com a escola e defendeu mudanças no controle de acesso e na prevenção. “A questão da segurança é necessária, detector de metais, tudo isso é importante”, afirmou. Ele também cobrou ações além do reforço físico e apontou o papel das famílias e do acompanhamento do que circula nos celulares. “Os pais não conseguem mais acompanhar seus filhos, controlar o uso do celular e colocar um pouco de limite”, disse.

A aposentada Felomena Leduíno do Nascimento participou do ato e relatou a proximidade da família com o Instituto São José, onde netos já estudaram. “A gente pensa que isso só acontece em cidade grande. Meus três netos estudaram aqui. A gente sente como se fosse alguém da família da gente”, afirmou.

Após o ataque, o governo do Acre informou a suspensão das aulas por três dias e anunciou medidas emergenciais, incluindo apoio psicossocial e discussão de protocolos de segurança para a volta às atividades, com possibilidade de instalação de detectores de metal e reforço na fiscalização de entrada. A Prefeitura de Rio Branco também suspendeu as aulas na rede municipal pelo mesmo período e anunciou um programa voltado a ações de prevenção e orientação no ambiente escolar.

O Ministério Público do Estado do Acre designou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado para acompanhar as investigações e afirmou que vai adotar medidas complementares conforme o avanço das apurações. O órgão também se reuniu com a Secretaria de Educação para discutir ações emergenciais de reforço da segurança nas escolas.

Fonte e foto: AC24h

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