O ex-prefeito de Rio Branco e pré-candidato ao governo do Acre, Tião Bocalom, afirmou na terça-feira (21) que o estado precisa ampliar a produção rural, reduzir a compra de alimentos de outros estados e rever entraves ambientais que, segundo ele, travam obras e atividades produtivas na Amazônia. A declaração foi dada em entrevista ao podcast Encontro Marcado, apresentado por Accioly Gomes, em Tarauacá, durante agenda de pré-campanha pela região do Juruá.
Em viagem pelo interior, Bocalom relatou que já passou por Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves, esteve em Tarauacá e seguiria para Feijó e Manoel Urbano. “Nós começamos o projeto agora, visitar através do Juruá”, disse, ao comentar a estratégia de iniciar a articulação política pela região. Ele também justificou a decisão de deixar a prefeitura da capital para entrar na disputa estadual, afirmando que saiu com recursos em caixa e obras encaminhadas. “Vou, porque nós vamos tocar esse projeto”, declarou.
O eixo do discurso foi o que ele chama de “produzir para empregar”. Bocalom disse que o Acre precisa fortalecer a agricultura e diminuir a dependência de produtos trazidos de fora. “A gente compra tudo de fora. É arroz que vem de fora, é feijão que vem de fora, é derivado de milho que vem de fora, é leite que vem de fora”, afirmou. Para ele, a saída de recursos afeta diretamente a geração de trabalho no estado. “O nosso dinheiro vai embora. Se o nosso dinheiro vai embora, gera emprego lá, não gera emprego aqui”, disse.
O pré-candidato apontou o café como uma das principais apostas para o campo e afirmou que defende a cultura há décadas. “Eu, a vida inteira, falei que tinha que plantar café. Há 40 anos já falo isso”, declarou. Ele citou avanços do plantio em municípios como Acrelândia, Mâncio Lima, Assis Brasil, Brasileia, Sena Madureira e Manoel Urbano, e disse que a produção já teria capacidade de abastecer o mercado interno e gerar excedente. “Hoje Acrelândia sozinha já abastece o Acre e sobra café para exportar”, afirmou, ao defender a expansão como alternativa para a agricultura familiar. “O café é um produto de exportação”, completou.
Além do café, Bocalom mencionou cacau, arroz, leite, feijão, tomate, milho e soja como cadeias com potencial de crescimento. “Por que é que a gente tem condições de produzir tudo aqui e fica comprando de fora? Esse é o grande dilema do Acre”, disse. Na mesma linha, afirmou que a industrialização dependeria do aumento de matéria-prima no estado. “Indústria só vai ter aqui quando tiver matéria-prima. Vai ter uma grande indústria de arroz, se tiver arroz; vai ter uma grande indústria de café, se tiver bastante café”, declarou.
Ao falar sobre meio ambiente, o pré-candidato defendeu mudanças em regras que, para ele, limitam a produção e a infraestrutura. “Nós temos que destravar isso”, disse, repetindo que “a ideia é sempre essa, da gente melhorar, destravar essa Amazônia”. Ele citou a ligação com o Peru pela região de Cruzeiro do Sul como oportunidade logística e argumentou que a geografia favorece o estado. “Não dá para dizer que nós podemos ligar com o Peru aqui através de Cruzeiro do Sul”, afirmou, ao tratar da necessidade de investimentos e planejamento na área. Bocalom também mencionou a Serra do Divisor ao defender o aproveitamento de recursos para obras, questionando a exploração de insumos como brita e pedra. “Nós temos aqui na Serra do Divisor, nós temos brita, nós temos pedra ali. Por que é que a gente não explora ali?”, disse.
Questionado sobre aquecimento global e preservação, Bocalom criticou o que chamou de excesso de restrições e afirmou que a população não pode ficar impedida de produzir. “Nós não podemos escravizar o ser humano para cuidar da floresta”, declarou. Ele também citou a dependência de programas sociais ao falar sobre oportunidades econômicas na região. “Isso não pode, as pessoas morarem em cima de uma terra tão rica aqui na floresta amazônica e viver de Bolsa Família”, disse.
Na avaliação política, Bocalom comentou o governo de Gladson Cameli, disse manter respeito pelo ex-governador e atribuiu à gestão a abertura para o trabalho no campo. “O maior legado que ele deixa é deixar o povo trabalhar”, afirmou. Em seguida, defendeu a retomada e o fortalecimento de estruturas voltadas à agricultura familiar, como assistência técnica e mecanização. “Nós temos que restabelecer a Emater, nós temos que restabelecer a Cageacre, porque tudo isso é para ajudar o agricultor familiar”, disse. Ele citou ações realizadas em Rio Branco como exemplo, mencionando distribuição de insumos e serviços. “Rio Branco nós demos 6 mil toneladas de calcário para agricultor familiar, fizemos mais de 4 mil hectares de mecanização”, afirmou.
No cenário eleitoral, o pré-candidato mencionou a disputa com Alan Rick e Mailza Assis, disse que mantém relação de amizade com ambos e sustentou que sua experiência administrativa será o diferencial. “O meu peixe vai estar carregado de experiência”, declarou. Ele afirmou ainda que a entrada de seu nome muda o ritmo da corrida ao governo. “Até agora só tinha dois candidatos. A partir dessa semana entrou um novo candidato, que é o Bocalom. Então, a eleição começa agora”, disse. Ao explicar por que começou a agenda pelo Juruá, citou a eleição de 2010, quando concorreu ao Palácio Rio Branco e foi derrotado. “Comecei aqui pelo Juruá porque foi aqui que nós perdemos aquela eleição de 2010”, afirmou.
Bocalom encerrou dizendo que pretende percorrer todos os municípios e apresentar o projeto baseado no aumento da produção rural e no estímulo a cadeias capazes de sustentar agroindústrias. “Vamos rodar o estado inteiro, falar dos nossos projetos e dizer que o Acre tem jeito”, declarou, ao afirmar que pretende levar ao governo a experiência como empresário, professor, prefeito de Acrelândia e de Rio Branco. “Meu negócio é resultado”, disse.








