Bocalom e Bittar unem discurso de direita em inauguração de viaduto e exaltam Bolsonaro no Acre

A inauguração do elevado Mamédio Bittar, em Rio Branco, na noite de sexta-feira, 20 de março de 2026, virou palco para uma dobradinha de discurso alinhado à direita entre o prefeito Tião Bocalom e o senador Marcio Bittar, com defesa do agronegócio como motor econômico, crítica à dependência do Bolsa Família e exaltação do ex-presidente Jair Bolsonaro como figura central do campo conservador no Acre.

Após a liberação do tráfego, Bocalom afirmou que o viaduto pode se pagar em cerca de um ano com a redução do tempo perdido no trânsito e do consumo de combustível, ao citar o impacto diário de veículos que travavam o trecho. Ele disse que a obra começou com recursos próprios da Prefeitura enquanto a liberação de verba federal ainda estava travada em Brasília e que, depois, o dinheiro federal entrou no caixa do município.

No mesmo evento, Bocalom voltou a elogiar o senador e afirmou que seguirá dando apoio a Bittar, mesmo após divergências políticas recentes. “Ele tem o meu apoio, vai continuar tendo o meu apoio”, disse, ao atribuir ao parlamentar a destinação de recursos para Rio Branco e para municípios do interior.

O prefeito ampliou o tom político ao defender uma mudança de rumo econômico no Acre, com ênfase no agronegócio. “Nós precisamos inverter esse jogo”, afirmou, ao comparar a rentabilidade de cultivos como o café com a pecuária e ao sustentar que o Estado precisa “largar dessa história de viver mais de Bolsa Família do que de carteira assinada”.

No discurso no púlpito, Marcio Bittar colocou Bolsonaro como principal fiador político da obra e afirmou que o elevado “tem um padrinho”. “Esse padrinho chama-se Jair Messias Bolsonaro. Se eu não for grato a ele, eu não mereço o voto de ninguém nesse estado”, declarou. O senador também lembrou o período em que atuou como relator do Orçamento e disse que, em meio a pressões para cancelamento de verbas, ouviu do então presidente que a liberação não seria interrompida.

Bittar ainda atribuiu a Bolsonaro o fortalecimento público do campo conservador no País. “Foi ele que tirou os conservadores do armário, foi Bolsonaro que tirou a direita do armário”, afirmou, e disse que não pretende se calar diante de críticas ao ex-presidente.

Com as falas no mesmo palco, a entrega do viaduto concentrou uma mensagem política que combina a defesa de obras urbanas com uma agenda de valores e economia associada à direita no Acre, num momento em que lideranças locais tentam converter entregas de infraestrutura em capital político e disputar a narrativa sobre emprego, renda e programas sociais.

Foto: Val Fernandes

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