As chuvas intensas registradas no Acre durante o fim de semana voltaram a provocar enchentes, alagamentos e prejuízos em comunidades indígenas, ribeirinhas e áreas rurais do Vale do Juruá e da região de Tarauacá. Neste domingo, 26, o Rio Juruá transbordou pela quinta vez em 2026 em Cruzeiro do Sul, atingindo 13,08 metros, acima da cota de transbordamento, que é de 13 metros. A nova elevação ocorre depois de dias de chuva nas cabeceiras e afluentes, mantendo em alerta moradores de áreas baixas, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros.
Além do Juruá, afluentes como os rios Môa, Liberdade e Juruá Mirim também apresentam nível elevado. A cheia já atinge casas, plantações e áreas produtivas em diferentes pontos da região. Até a manhã deste domingo, não havia pedido formal de retirada de famílias em Cruzeiro do Sul, mas os órgãos de emergência mantinham o monitoramento diante da continuidade das chuvas próximo às cabeceiras dos rios.
A situação mais crítica foi registrada na Terra Indígena do Rio Gregório, em Tarauacá, onde todas as 18 aldeias dos povos Yawanawa e Noke Ko’í foram atingidas pela alagação. Casas foram tomadas pela água, roçados ficaram comprometidos, criações de animais foram perdidas e sistemas de energia solar e comunicação também foram afetados. A cheia do Rio Gregório foi descrita por lideranças locais como fora do padrão para o mês de abril, período em que a região costuma entrar na transição para a vazante e o chamado verão amazônico.
Relatos enviados por moradores mostram que a água subiu de forma rápida entre sexta-feira e sábado, alcançando aldeias como Mushuinu e Arani. Em mensagens divulgadas pelas comunidades, indígenas afirmaram que a cheia avançou sobre áreas de moradia e chegou a pontos de circulação e embarque. Lideranças relataram preocupação com a perda de alimentos, a dificuldade de acesso à água potável e o risco de isolamento das famílias.
No Vale do Juruá, também há registro de impactos em aldeias Shawãdawa e Apolima Arara, além de comunidades ribeirinhas e extrativistas. Na Terra Indígena Arara do Igarapé Humaitá, aldeias do povo Shawãdawa foram afetadas. No Rio Amônia, famílias Apolima Arara da aldeia Nova Vitória ficaram sem água potável e perderam criações e roçados. Na Reserva Extrativista Riozinho da Liberdade, em Cruzeiro do Sul, comunidades como Passo da Pátria, Tristeza, Cavanhaque e moradores do Igarapé Forquilha tiveram casas, plantações e estruturas produtivas atingidas.
Diante do agravamento do cenário, o governo do Acre mobilizou uma força-tarefa com participação da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas, Defesa Civil Estadual, Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos e Corpo de Bombeiros. As equipes foram acionadas para levantar os danos, coordenar apoio humanitário, transportar famílias em áreas isoladas e organizar o envio de cestas básicas e itens de primeira necessidade.
A governadora Mailza Assis afirmou que determinou o envio de ajuda às terras indígenas e às comunidades ribeirinhas afetadas. A secretária extraordinária dos Povos Indígenas, Francisca Arara, informou que o levantamento considera perdas na produção, nos criatórios, nos sistemas de energia solar e no acesso à comunicação. O Corpo de Bombeiros atua no resgate, transporte e suporte às comunidades isoladas.
O quadro deste fim de semana ocorre em um mês já marcado por cheias em diferentes regiões do Acre. No início de abril, o governo estadual decretou situação de emergência em Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro, após inundações nas bacias dos rios Envira, Abunã, Purus e Tarauacá afetarem direta ou indiretamente mais de 40 mil pessoas. O reconhecimento federal da emergência foi publicado posteriormente pela Defesa Civil Nacional.
Os acumulados de chuva seguem acima do esperado para o período em parte do estado. Registros citados por órgãos de monitoramento apontaram volumes expressivos em cidades como Cruzeiro do Sul, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo e em pontos do Vale do Juruá. A previsão de continuidade das precipitações mantém o risco de novas elevações nos rios, especialmente em áreas de comunidades indígenas, ribeirinhas e extrativistas, onde a perda de roçados, farinha, macaxeira, banana, criação de animais e acesso à água potável amplia o impacto social da enchente.








