O deputado estadual Adailton Cruz (PSB) anunciou nesta terça-feira, 24 de março de 2026, que vai protocolar uma representação para suspender a transformação da Policlínica do Tucumã, em Rio Branco, em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas, proposta conduzida pelo governo do Acre. O parlamentar afirmou que a mudança será feita sem diálogo e que servidores e pacientes seriam prejudicados com a reorganização dos serviços na unidade, que atende diariamente milhares de pessoas.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Adailton disse ter sido chamado por trabalhadores e pacientes e relatou que haveria uma ordem verbal para fechar a policlínica a partir da próxima quarta-feira, com transferência de servidores para o Segundo Distrito. “Fomos chamados pelos trabalhadores, pelos pacientes, e está aqui uma ordem verbal para fechar a Policlínica do Tucumã (…) e transferir todos os servidores — como se fossem lixo — sem que nem sequer eles sejam ouvidos”, afirmou. O deputado disse ainda que sindicatos acompanharam a mobilização e que um ato público estava previsto para quinta-feira como forma de pressionar pela suspensão do processo.
A Secretaria de Estado de Saúde do Acre negou prejuízo aos trabalhadores e sustentou que a mudança busca ampliar o atendimento de urgência e reduzir a pressão sobre o Pronto-Socorro da capital. O secretário Pedro Pascoal afirmou que o prédio já tem estrutura e que seriam necessárias pequenas adequações para o funcionamento 24 horas. Segundo ele, o plano é atender pelo menos 22 bairros e cerca de 75 mil moradores, evitando deslocamentos longos para serviços de urgência e desafogando outras unidades.
Pascoal disse que os serviços ambulatoriais hoje ofertados na policlínica seriam transferidos para a primeira etapa da nova maternidade, apontada como destino da reorganização do atendimento especializado. No embate com o parlamentar, o secretário afirmou que a proposta não prejudica os servidores e que a resistência à mudança contraria a demanda da população por uma UPA na região. “Essa proposta vai desafogar o Pronto-Socorro (…) e reorganizar os serviços sem prejudicar os servidores”, declarou.
O governo afirmou que o projeto já está em andamento e que a implantação deve ocorrer até o fim de 2026. Enquanto isso, o deputado promete acionar mecanismos formais para tentar interromper a alteração, o que tende a ampliar a disputa política em torno do modelo de atendimento na região do Tucumã e do redesenho da rede de urgência e especialidades em Rio Branco.








