Deputados pedem investigação sobre relação entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro após cobrança por repasses para filme

Deputados do PT, PSOL e PCdoB anunciaram nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, que vão acionar a Polícia Federal, a Receita Federal e pedir a criação de uma CPI para investigar a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso sob suspeita de liderar uma organização criminosa envolvida em fraudes financeiras. A iniciativa ganhou força após a divulgação de áudios, mensagens e documentos que associam o parlamentar à cobrança de repasses prometidos por Vorcaro para financiar um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No material que circulou, aparece a referência a um valor que chega a cerca de R$ 134 milhões. Em uma das gravações atribuídas ao senador, Flávio afirma que a produção estava em fase decisiva e cobra o envio de recursos por causa de atrasos, dizendo que o ambiente estava tenso e que temia “o efeito contrário” do planejado para o filme. Parlamentares sustentam que o caso pode envolver transferências internacionais e querem apurar a regularidade fiscal e a existência de eventual infração penal.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que pretende questionar a Receita sobre a entrada e a declaração de recursos enviados ao exterior, citando a suspeita de envio para um fundo nos Estados Unidos ligado a um advogado de Eduardo Bolsonaro. Segundo ele, o objetivo é esclarecer se houve recolhimento de tributos e se o procedimento foi declarado às autoridades. Já o líder da federação PSOL/Rede, Tarcísio Motta (RJ), falou em indícios de crimes como lavagem de dinheiro, corrupção passiva, tráfico de influência e financiamento ilegal, e defendeu apuração formal do vínculo entre o senador e o banqueiro.

A líder do PCdoB, Jandira Feghali (RJ), questionou o patamar do patrocínio e afirmou que o valor citado ultrapassa orçamentos de produções brasileiras recentes, defendendo que seja apurado o destino dos recursos e quem teria sido beneficiado. Deputados também apontam que a dimensão financeira do caso exige investigação em diferentes frentes, com apuração criminal e fiscal.

Flávio Bolsonaro confirmou que cobrou Vorcaro e disse que manteve contato com o banqueiro por quase um ano, mas negou crime e afirmou que se tratava de patrocínio privado para um projeto privado. Em nota, o senador sustentou que não houve uso de dinheiro público e disse que não ofereceu vantagens em troca do apoio. Ele também negou ter promovido encontros privados fora da agenda, ter intermediado negócios com o governo ou ter recebido dinheiro ou qualquer vantagem. Na mesma manifestação, passou a defender a abertura de uma CPI do Banco Master.

As mensagens mais recentes citadas no caso são do início de novembro do ano passado, período que antecedeu a liquidação do Banco Master pelo Banco Central e a prisão de Vorcaro em desdobramentos de uma operação da Polícia Federal. O banqueiro segue detido na Superintendência da PF em Brasília e negocia um possível acordo de delação premiada.

Fonte e foto: Agência Brasil

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