Empresa ligada a aliado de Flávio Bolsonaro entra em acordo para abertura de sigilos no TSE

A inclusão de uma empresa sediada em Portugal e ligada ao advogado Willer Tomaz, próximo do senador Flávio Bolsonaro (PL), foi um dos principais pontos de negociação entre as campanhas presidenciais de Flávio e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O impasse foi superado nesta quinta-feira (22), quando os dois lados chegaram a um acordo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos.

A empresa em questão é a Alcazar Holdings, registrada na Ilha da Madeira, em Portugal. A campanha de Lula exigiu que os dados da companhia fossem incluídos na abertura dos sigilos, após apresentar informações de uma investigação da Polícia Federal que apontariam possíveis vínculos financeiros entre Flávio Bolsonaro e a empresa.

Na petição encaminhada ao TSE, os advogados do presidente afirmam que a Polícia Federal identificou registros de Flávio Bolsonaro como usuário com privilégios de administração de uma conta bancária da Alcazar Holdings. O suposto vínculo teria sido encerrado em maio de 2025, depois do início da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes envolvendo benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A defesa do senador contesta a existência de participação econômica ou societária de Flávio na empresa. Tanto o candidato do PL quanto Willer Tomaz negam manter negócios em conjunto.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que a campanha de Flávio tentou retirar a empresa do acordo durante as negociações. Segundo ele, os representantes do senador aceitaram a exigência após a insistência da equipe petista.

A negociação começou depois que Lula desafiou Flávio Bolsonaro, durante o debate presidencial realizado pela Band no domingo (18), a autorizar a divulgação de seus sigilos e dos dados financeiros de familiares. O senador respondeu apresentando 19 condições, que incluíam informações sobre parentes do presidente, empresas, assessores e despesas relacionadas à Presidência da República.

A campanha de Lula aceitou as exigências e formalizou a resposta nesta quinta-feira no TSE. O entendimento prevê a abertura simultânea das informações dos dois candidatos, de seus familiares e de empresas abrangidas pelas autorizações.

O documento foi assinado pelo presidente Lula e pela advogada Maria Claudia Bucchianeri, representante da campanha de Flávio Bolsonaro. A proposta solicita que as informações sejam disponibilizadas publicamente até as 23h59 desta quinta-feira.

Apesar do acordo, a divulgação ainda depende de uma decisão do ministro André Mendonça, relator do processo no TSE. Caberá ao magistrado avaliar os pedidos e determinar, se for o caso, a requisição dos dados ao Banco Central, à Receita Federal, às instituições financeiras e às operadoras de telefonia.

A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro também informou que pretende analisar os documentos apresentados pela campanha de Lula antes de disponibilizar as informações do senador. O trabalho ficará sob responsabilidade do ex-procurador da República Deltan Dallagnol, integrante da equipe do candidato do PL.

O acordo ocorre a três dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). A assinatura não representa a abertura efetiva dos sigilos, que permanece condicionada à análise judicial e ao cumprimento das exigências estabelecidas entre as campanhas.

 

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