Enem 2026: Inep lança cartilha com orientações para redação e critérios de correção

Os candidatos inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 já podem consultar a nova Cartilha do Participante com orientações para a prova de redação. O material foi disponibilizado nesta sexta-feira, 18 de setembro, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a menos de dois meses da aplicação do exame, marcada para os dias 8 e 15 de novembro.

A redação será aplicada no primeiro domingo de provas, em 8 de novembro. Os participantes terão de produzir um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas a partir do tema apresentado e dos textos motivadores incluídos no caderno de questões.

A cartilha apresenta a matriz usada na avaliação, detalha os critérios de correção e reúne exemplos de redações que obtiveram altas pontuações no Enem 2025. Os textos são acompanhados de comentários pedagógicos dos corretores para ajudar os estudantes a compreender como as competências exigidas aparecem na prática.

A avaliação considera cinco competências. O candidato precisa demonstrar domínio da escrita formal da língua portuguesa, compreender a proposta e desenvolver o tema com repertório sociocultural pertinente. Também deve selecionar e organizar informações e argumentos para defender um ponto de vista, utilizar mecanismos linguísticos que garantam a coesão do texto e apresentar uma proposta de intervenção relacionada ao problema abordado.

A proposta de intervenção precisa respeitar os direitos humanos. Entre os princípios considerados estão dignidade humana, igualdade de direitos, respeito às diferenças e diversidades, Estado laico, democracia na educação e sustentabilidade socioambiental.

Uma das recomendações é evitar o chamado “repertório de bolso”, expressão usada para referências previamente memorizadas e aplicadas de forma genérica a diferentes temas. A orientação é que o repertório empregado tenha relação efetiva com o assunto da prova e contribua para o desenvolvimento da argumentação.

A preparação também deve incluir leitura frequente. A prática ajuda a ampliar o vocabulário, diversificar o repertório sociocultural e desenvolver recursos que podem ser utilizados tanto na argumentação quanto na construção da proposta de intervenção.

Cada redação será analisada por dois avaliadores. Em cada uma das cinco competências, poderão ser atribuídos de zero a 200 pontos, permitindo que a nota total dada por cada corretor chegue a mil pontos. O resultado final corresponde à média das duas avaliações.

Entre as situações que podem resultar em nota zero estão a fuga ao tema, a inclusão deliberada de trechos sem relação com a redação, a identificação do participante fora do espaço destinado a essa finalidade, textos com até sete linhas manuscritas, produção predominantemente ou integralmente em língua estrangeira e letra ilegível que impeça a leitura por dois avaliadores independentes. Linhas copiadas dos textos apresentados na própria prova ou do caderno de questões são descontadas da extensão considerada na correção.

O Inep também disponibilizou versões da cartilha com orientações específicas para participantes surdos ou com deficiência auditiva, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e candidatos com dislexia.

O Enem é usado no acesso à educação superior por programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), além de processos seletivos próprios de instituições públicas e privadas. As notas também podem ser aproveitadas por instituições portuguesas que mantêm acordo com o Inep.

Desde 2025, o exame voltou a permitir a certificação de conclusão do ensino médio para participantes com pelo menos 18 anos que alcancem as pontuações mínimas exigidas. Em 2026, o Enem também passa a ser utilizado como instrumento de avaliação da qualidade do ensino médio brasileiro.

 

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