A Escola do Poder Judiciário do Acre (Esjud) iniciou na última semana, em Rio Branco, um projeto de aproximação com a população para ampliar o acesso à Justiça e estimular uma prestação jurisdicional mais humanizada. A iniciativa começou com uma reunião na sede da União Municipal das Associações de Moradores de Rio Branco (Umamrb), onde lideranças comunitárias ouviram a proposta e apresentaram dúvidas, críticas e demandas de bairros da capital.
“Estou há um bom tempo nessa caminhada e nunca houve um momento como este. É a primeira vez que a Justiça senta com a comunidade”, disse Jonas Gomes, liderança de moradores do bairro Santa Inês, ao comentar o encontro. A secretária da Umamrb, Shirley Souza, afirmou que a presença do Judiciário no espaço das associações marcou um gesto de reconhecimento das lideranças locais. “Agradeço muito pela presença do desembargador na nossa casa, é um momento verdadeiramente histórico. Essa procura, de ter vindo até nós, demonstra que nos enxerga, que o Poder Judiciário preza pelo povo”, declarou.
O diretor da Esjud, desembargador Luís Camolez, participou da reunião acompanhado por integrantes da equipe do órgão de ensino. Ele explicou que o projeto prevê ações educativas em áreas urbanas e rurais, incluindo rodas de conversa, com foco em difundir direitos, estimular a escuta ativa e construir encaminhamentos para problemas cotidianos. A proposta também busca apresentar serviços do Judiciário estadual, orientar sobre canais de atendimento e ampliar a compreensão da população sobre o funcionamento do sistema de Justiça.
Durante a visita, a Esjud entregou às lideranças uma pesquisa com 18 perguntas para ser respondida por moradores de diferentes comunidades de Rio Branco. Entre os pontos do questionário, estão questões sobre confiança no Poder Judiciário, entendimento de documentos como intimações e sentenças e a possibilidade de a população explicar, com as próprias palavras, qual é o papel do Judiciário. A etapa de coleta pretende mapear percepções e dificuldades de acesso, para subsidiar novas ações do projeto e formações internas voltadas às demandas levantadas nas comunidades.
Na avaliação de Jonas Gomes, o encontro também mira um problema recorrente na relação entre instituições e periferias. “Acabar o medo das comunidades com o Judiciário, pois muitos pensam que, por serem autoridades, pessoas poderosas e que ganham bem, não querem contato conosco”, afirmou, ao defender que a aproximação fortalece a ideia de que a Justiça atua além do julgamento e da punição, com impacto direto na garantia de direitos.








