A Fundação de Cultura Elias Mansour afirmou nesta sexta-feira, 29, que os recursos destinados à realização da Marcha para Jesus 2026 não saíram do orçamento ordinário da instituição nem de verbas da Política Nacional Aldir Blanc, do Fundo Estadual de Cultura ou de editais voltados à classe artística. A manifestação foi divulgada um dia depois de o Ministério Público do Acre abrir procedimento para acompanhar a aplicação do dinheiro público previsto para o evento.
A fundação sustenta que o recurso foi destinado pelo governo do Acre, por meio da Casa Civil, com finalidade específica para a Marcha para Jesus em municípios do estado. Segundo a FEM, sua atuação se limitou à condução dos trâmites administrativos, técnicos e jurídicos para selecionar a organização da sociedade civil que ficará responsável pela execução da programação.
A reação veio após críticas de segmentos da comunidade artística e da abertura da apuração pelo Ministério Público. O MPAC informou que o procedimento mira a destinação, a execução e a prestação de contas dos recursos ligados ao edital da FEM para a Marcha para Jesus, em um montante aproximado de R$ 2,4 milhões. O órgão pediu, em até dez dias úteis, documentos como estudos técnicos, justificativas para o valor global, planilhas de custos, critérios de seleção, origem dos recursos e cronograma de execução financeira. Também solicitou informações ao Tribunal de Contas do Estado sobre eventual fiscalização já em andamento.
Na avaliação do Ministério Público, a medida busca verificar a correta aplicação do dinheiro público, a observância dos princípios da administração e a razoabilidade do valor previsto para o evento, inclusive em razão da proximidade do período eleitoral. O órgão afirmou que a iniciativa não tem caráter persecutório nem discriminatório contra a manifestação religiosa, mas foco exclusivo no controle do gasto público e na proteção do patrimônio público e da moralidade administrativa.
A FEM também reforçou que a Marcha para Jesus foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Acre em 2025 e disse que o chamamento público aberto prevê ações em 21 municípios acreanos. As inscrições seguem abertas até 5 de junho para a escolha de uma organização da sociedade civil de caráter religioso, legalmente constituída, que assumirá a execução do evento ao longo de 2026.
No texto divulgado, o presidente da fundação, Matheus Gomes, afirmou que não houve uso de recursos próprios da FEM nem comprometimento de verbas ligadas a políticas de fomento cultural. A instituição acrescentou que manterá os procedimentos sob os critérios de legalidade, publicidade, transparência e interesse público.







