Em artigo publicado neste domingo (19), Dia dos Povos Indígenas, a secretária de Estado de Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, afirmou que os povos indígenas vivem “um momento histórico de conquista” depois de décadas em que, segundo ela, “as nossas vozes eram silenciadas” e “sempre alguém falava por nós”. No texto, assinado por ela, Francisca defendeu participação direta na formulação de políticas públicas e cobrou presença indígena no Legislativo a partir de 2027.
Ao relacionar avanços recentes, a secretária citou a educação escolar indígena intercultural bilíngue e a ampliação do protagonismo de professores indígenas dentro das aldeias. “Hoje somos nós mesmos ministrando as nossas aulas, sendo os pesquisadores, trabalhando as nossas línguas maternas, nossas línguas indígenas, nas nossas próprias escolas”, escreveu.
Francisca também mencionou ações ligadas à saúde indígena e à gestão territorial, com destaque para o trabalho de agentes agroflorestais e de saneamento nas comunidades. No artigo, ela associou a proteção dos territórios à necessidade de estrutura e recursos chegando direto aos territórios indígenas, além de reforçar a atuação de organizações indígenas na Amazônia.
No trecho de maior teor político, a secretária projetou a disputa por espaços institucionais no próximo ciclo eleitoral. “A gente luta para isso: que esse ano de 2027 nós venhamos ter os nossos parlamentares federais e estaduais nos estados, que só assim cada vez mais nós estaremos ganhando nossos espaços e levar nossas vozes para defender aquilo que nós tanto desejamos”, afirmou.
O artigo também situou o Acre como vitrine de representatividade ao citar a criação e a condução de uma secretaria voltada aos povos indígenas e ao lembrar que ela é a primeira mulher indígena a ocupar a titularidade de uma pasta no governo estadual. Para Francisca, a ampliação de políticas se apoia em diálogo, participação e escuta com os povos indígenas e em parcerias com organizações locais e instituições de formação.
A publicação ocorre num momento em que a pauta indígena tem ganhado centralidade na agenda amazônica, e a cobrança por representação formal, feita no texto, coloca pressão adicional sobre partidos e lideranças locais na montagem de candidaturas e na disputa por espaços decisórios, com impacto direto sobre a prioridade de políticas para educação, saúde e proteção territorial no estado.








