A governadora Mailza Assis deixou em aberto nesta segunda-feira, 18, a definição do vice na chapa ao governo do Acre e esfriou, ao menos publicamente, a especulação em torno do ex-secretário de Educação Aberson Carvalho. Em Rio Branco, afirmou que “o nosso vice será trabalhado” e disse que o anúncio ficará para mais adiante, enquanto o grupo concentra esforços na consolidação das alianças. Também reforçou que a indicação caberá ao MDB, partido que hoje ocupa a posição mais sensível da montagem eleitoral governista.
A fala de Mailza não surgiu isolada. Em março, o MDB oficializou apoio ao projeto da então vice-governadora e decidiu entrar na disputa de 2026 sem candidatura própria ao Palácio Rio Branco, mas com o compromisso de participar da chapa majoritária. Desde então, a vaga de vice passou a ser o principal ativo da sigla na negociação com o grupo governista, o que transformou a escolha em um teste de força entre aliados e em um termômetro da capacidade de articulação da nova chefe do Executivo.
O nome de Aberson ganhou tração nesse cenário no dia 2 de abril, quando ele deixou a Secretaria de Educação para se filiar ao MDB. Na ocasião, a movimentação foi lida nos bastidores como parte de uma estratégia política para abrir uma alternativa à ex-deputada Jéssica Sales, até então apontada como nome natural do partido para a vice. A especulação cresceu e não perdeu força depois disso. No fim de abril, interlocutores do MDB já admitiam a possibilidade de substituir Jéssica por outro filiado sem romper a aliança com Mailza.
A entrada de Aberson no centro do jogo também ficou mais visível quando Mailza definiu a linha de frente da pré-campanha. O ex-secretário passou a integrar o núcleo político encarregado de conduzir a articulação eleitoral ao lado de Jonathan Donadoni e Madson Cameli. Mais do que um nome lembrado para a vice, Aberson passou a ocupar espaço de operador político de confiança da governadora.
A demora no anúncio ocorre num momento em que a sucessão estadual segue competitiva. Mailza assumiu o governo com a renúncia de Gladson Cameli, formalizada com efeito a partir de 2 de abril, e entrou de vez no centro da disputa. Em meio ao avanço das articulações, a vaga de vice deixou de ser apenas um gesto para acomodar o MDB e passou a ser tratada como peça de equilíbrio político e eleitoral.
Aberson chega a esse tabuleiro com uma biografia que reúne vitrine administrativa e desgaste público. À frente da Educação, sua gestão esteve associada à ampliação do tempo integral, com anúncio de 25 novas escolas para 2026 e cerca de 6 mil novas vagas, além do fechamento de 100% da coleta do Censo Escolar 2025 dentro do prazo. Ao mesmo tempo, o ex-secretário carregou o peso da crise da escola rural que funcionava em um antigo curral no Bujari, caso que provocou forte repercussão e abriu um dos episódios mais delicados de sua passagem pela pasta.
Ao adiar a definição e repetir que “na hora certa, será anunciado”, Mailza tenta preservar margem de manobra num momento em que precisa manter o MDB integrado, evitar ruído interno e escolher um nome que some à chapa mais do que prestígio partidário. No Acre de 2026, a vice deixou de ser detalhe de composição e virou um dos principais capítulos da disputa pelo Palácio Rio Branco.







