A Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 1 milhão em espécie e prendeu três pessoas em flagrante por posse ilegal de armas de fogo nesta terça-feira, 22 de setembro, durante as operações Ptolomeu IV e Umbra. Ao todo, foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre, Maringá, no Paraná, e Navegantes, em Santa Catarina. As investigações apuram suspeitas envolvendo contratos públicos e uma estrutura que teria sido criada para antecipar ações da própria PF.
As ordens foram expedidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Uma das buscas ocorreu na residência do ex-governador do Acre e candidato ao Senado Gladson Cameli (PP), em Rio Branco. O celular dele e veículos que estavam no imóvel foram recolhidos durante a diligência. Cameli não foi preso. A candidatura dele ao Senado nas eleições de 2026 também aparece em registros divulgados neste mês.
A Operação Ptolomeu IV concentra parte das investigações em contratos relacionados à construção da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac). A ação conta com participação da Controladoria-Geral da União (CGU).
Uma auditoria apontou possível superfaturamento por inexecução parcial estimado em aproximadamente R$ 1,2 milhão. O valor corresponde a serviços que teriam sido medidos e pagos, mas não executados integralmente. A investigação também apura se recursos provenientes dos contratos foram usados para despesas particulares e para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
As movimentações financeiras da empresa responsável pela etapa inicial da obra também entraram na apuração. Entre os pontos investigados estão saques em espécie e outras operações consideradas atípicas pelos investigadores.
Outra frente envolve a empresa contratada posteriormente para concluir a mesma obra. A PF apura uma possível sucessão empresarial e vínculos entre pessoas relacionadas à nova contratada e empresas investigadas em fases anteriores da Operação Ptolomeu. A investigação busca esclarecer se houve continuidade das práticas sob apuração.
A Operação Umbra trata de uma frente diferente. Os investigadores apuram a existência de um núcleo de contrainteligência que teria sido montado para acompanhar atividades da Polícia Federal, incluindo deslocamentos de equipes e movimentações de viaturas, com o objetivo de obter informações antecipadas sobre operações.
Um agente da própria Polícia Federal e um ex-servidor terceirizado estão entre os investigados por possível repasse indevido de informações. A suspeita é de que os dados permitissem a pessoas investigadas adotar medidas antes do cumprimento de ordens judiciais, reduzindo a efetividade das ações policiais.
O STJ também autorizou o sequestro de bens e valores e determinou medidas cautelares contra investigados. Entre elas estão afastamento de função pública, proibição de contato entre determinados alvos, restrição de acesso a órgãos públicos e impedimento de deixar a comarca de residência ou o país em casos específicos.
Os investigados submetidos à restrição de saída do Brasil deverão entregar os passaportes à Superintendência da Polícia Federal no Acre. Conforme a participação atribuída a cada um ao longo das investigações, podem ser apurados crimes como organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação de organização criminosa.
A defesa de Gladson Cameli classificou as medidas como abusivas e afirmou haver perseguição política. Também questionou a realização da operação durante o período eleitoral e alegou que informações sobre as diligências teriam circulado antecipadamente. As afirmações são da defesa e não representam conclusão da investigação.
As investigações continuam para individualizar as condutas dos envolvidos e esclarecer a origem do dinheiro apreendido, a execução dos contratos públicos analisados e o possível vazamento de informações sobre ações da Polícia Federal.







