A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, protocolou no domingo (12) uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo medidas urgentes e a responsabilização do TikTok por conteúdos que os partidos classificam como violência política e violência política de gênero, após a viralização de vídeos gerados por inteligência artificial com agressões contra mulheres identificadas com camisetas do PT e cenas que simulam “exorcismos”.
A ação foi dirigida à presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, e sustenta que as peças ultrapassam o debate político e alimentam intolerância e hostilidade contra adversários. No texto encaminhado à Corte, a federação afirma que “a violência que mata, mutila, machuca e ofende se inicia, ou tem como a ponta de seu iceberg, justamente uma prática de propaganda em que se demonstra a intolerância, abandonando o caráter democrático da competição eleitoral em adversários para abraçar a linha de guerra ideológica entre inimigos”.
Os partidos apontam que o material teria circulado no perfil “RehVerse IA”, que reúne cerca de 400 mil seguidores, e dizem que o conteúdo também incentiva preconceito religioso ao associar a identidade partidária e a presença de mulheres na política a encenações de “possessão” e agressões. A federação pede que o TikTok forneça dados para identificar o responsável pelo perfil e solicita ainda que o TSE acione outras plataformas — como Instagram, Facebook, YouTube e Kwai — para impedir a veiculação e a replicação de conteúdos idênticos ou substancialmente semelhantes.
Segundo o relato da federação, os vídeos citados na representação foram removidos, mas o pedido busca medidas que evitem novas publicações e estabeleçam parâmetros de responsabilização em casos de propaganda eleitoral ilícita com uso de ferramentas de IA. O caso amplia a pressão sobre a Justiça Eleitoral e as plataformas em torno de conteúdos sintéticos e anônimos que se espalham rapidamente nas redes, com potencial de intimidar candidatas e militantes e de tensionar o ambiente político em ano de disputa.








