O Rio Juruá amanheceu neste sábado, 4 de abril de 2026, em 14,15 metros em Cruzeiro do Sul e manteve a cidade acima da cota de transbordamento, de 13 metros, com água avançando por ruas próximas à margem e pressionando bairros inteiros onde o alagamento já entrou nos quintais e, em alguns pontos, dentro de casas. O nível, considerado alto para este período do ano, sustenta um cenário de risco para novas áreas e mantém o ritmo de retiradas de moradores, principalmente nas regiões mais baixas.
A cheia atingiu 33 bairros e alcançou mais de 28 mil pessoas, segundo o levantamento mais recente das equipes locais, com famílias divididas entre casas de parentes, imóveis improvisados em áreas mais altas e abrigos públicos. Ao longo dos últimos dias, o deslocamento virou rotina em trechos do município: móveis e eletrodomésticos foram colocados em locais elevados, documentos e roupas seguiram em sacolas, e embarcações passaram a ser o único caminho para sair de algumas ruas.
Com a água subindo e a previsão de manutenção do nível elevado, os abrigos montados em escolas passaram a concentrar parte dos desabrigados. Pelo balanço divulgado neste sábado, 50 famílias foram classificadas como desabrigadas e 233 pessoas estavam acolhidas em estruturas públicas. Dentro dos espaços de acolhimento, o fluxo inclui triagem, distribuição de refeições e orientação social, enquanto equipes de saúde atendem casos de gripe, problemas de pele e acompanhamento de crianças, além de reforço de vacinação e testes rápidos.
A operação de retirada segue com embarcações e equipes em campo desde o início da semana. O Corpo de Bombeiros mantém a atuação com grupos distribuídos por áreas de maior chamada e atendimento por água, em parceria com a Defesa Civil e com suporte do Exército e forças de segurança. O trabalho inclui remoções preventivas quando a água chega ao piso das casas, transporte de pessoas com mobilidade reduzida e apoio para levar pertences essenciais.
Nas áreas já alagadas, a preocupação imediata se mistura com o desgaste de dias de instabilidade. Moradores relatam dificuldade para manter a rotina, interrupção de acessos, perda de alimentos e risco de contaminação da água em pontos onde o alagamento alcança fossas e valas. Em bairros com interrupção do abastecimento, caminhões-pipa foram enviados para garantir água tratada, enquanto a prefeitura e o governo estadual reforçaram a distribuição de itens básicos e suporte às famílias que tiveram de sair às pressas.
A Defesa Civil de Cruzeiro do Sul mantém o monitoramento do nível do rio e das áreas mais vulneráveis e trabalha com o plano de contingência para ampliar atendimento, abrigos e logística caso o Juruá continue em elevação. O governo do Estado e o município mantêm a orientação para que moradores em áreas de risco acionem o resgate assim que a água avançar, para evitar deslocamentos em situação de perigo.
Com o rio acima da cota de transbordamento e com impacto em dezenas de bairros, a tendência dos próximos dias será definida pelo comportamento do nível nas próximas medições. Enquanto isso, a cidade segue em modo de resposta: retirada quando necessário, acolhimento para quem perdeu a casa temporariamente e esforço para garantir água, alimentação e atendimento básico a uma população que, nesta cheia, passou a medir a rotina pelo avanço do Juruá.








