Um método desenvolvido pela Embrapa Territorial passou a identificar, por imagens de satélite e Inteligência Artificial, quais lavouras foram efetivamente irrigadas em cada ano a partir de índices de umidade do solo, em um monitoramento criado para apoiar políticas públicas do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e já aplicado em polos de irrigação em Goiás e Mato Grosso.
A iniciativa busca separar áreas que apenas têm infraestrutura instalada, como pivôs, daquelas em que a irrigação aconteceu na prática, safra a safra. Segundo a Embrapa, o objetivo é registrar a irrigação real do período analisado, e não apenas a presença de equipamentos no campo.
Para chegar a esse recorte, a equipe passou a trabalhar com índices de umidade obtidos por imagens de média resolução do satélite Sentinel-2, de acesso gratuito, e combinou o dado com padrões geométricos típicos de áreas irrigadas, como círculos, retângulos e triângulos. A Embrapa afirma que o cruzamento ajuda a diferenciar solo úmido por chuva de solo úmido por irrigação, especialmente em Goiás, onde o recurso costuma ser acionado no período chuvoso para enfrentar veranicos.
O levantamento também passou a estimar o tamanho das áreas irrigadas com apoio de sensoriamento remoto por radar e vetorização, técnica que desenha o contorno do terreno irrigado para reduzir distorções comuns em medições por “pixels”. No polo de irrigação Central de Goiás, o mapeamento registrou aumento de 7 mil hectares entre 2023 e 2024 e crescimento nos 24 municípios que integram a região, com previsão de integração dos dados ao Sistema Nacional de Informações sobre Irrigação (Sinir).
No MIDR, a coordenação responsável pelo tema relaciona o acompanhamento a decisões sobre perda de safra, janela de plantio e expansão planejada dos polos de irrigação. O ministério também associa o uso de irrigação a impacto econômico em cadeias como a fruticultura, em que a área irrigada tende a demandar mais mão de obra.
O monitoramento ganhou relevância diante do diagnóstico de que a maior parte das áreas irrigadas no país está fora de programas oficiais, elevando a necessidade de dados mais frequentes para orientar investimentos, regularização e planejamento do uso da água em regiões com produção em expansão.








