Sebrae e MEMP testam índice para medir apoio ao empreendedorismo feminino nos municípios

O Sebrae e o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte testam, em 2026, o Índice Municipal de Empreendedorismo Feminino em dez cidades das cinco regiões do país para mapear barreiras locais ao crédito, à tecnologia, ao mercado, à educação empreendedora e ao suporte institucional. A ferramenta busca orientar políticas públicas voltadas a mulheres que empreendem e ampliar as condições de crescimento dos pequenos negócios liderados por elas.

O índice está em fase piloto em Parintins, no Amazonas; Macapá, no Amapá; Imperatriz, no Maranhão; Juazeiro, na Bahia; Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso; Anápolis, em Goiás; Volta Redonda, no Rio de Janeiro; Suzano, em São Paulo; Lages, em Santa Catarina; e Pelotas, no Rio Grande do Sul. A previsão é concluir essa etapa no segundo semestre de 2026 e, depois, automatizar a metodologia para todos os municípios brasileiros.

A metodologia combina bases públicas, visitas técnicas, entrevistas e diagnósticos territoriais. A proposta não é criar um ranking entre cidades, mas mostrar quais obstáculos afetam a atividade econômica feminina em cada localidade e quais pontos podem ser usados como referência para outras regiões. “O índice mostrará onde estão as principais barreiras enfrentadas pelas mulheres em cada município e quais são os pontos fortes de cada território. A partir desse diagnóstico, será possível construir planos de ação específicos e estimular a troca de boas práticas entre os municípios”, afirma a gestora do Sebrae Delas, Renata Malheiros Henriques.

Entre os fatores avaliados estão oferta de creches, participação feminina na política, acesso ao crédito, presença de mulheres em cursos de ciência e tecnologia, educação empreendedora e condições de inserção no mercado. A escolha dos indicadores leva em conta desafios recorrentes entre empreendedoras, especialmente para mulheres que conciliam maternidade, gestão do negócio e responsabilidade pela renda familiar.

Em Parintins, uma das cidades escolhidas para validar a metodologia, a professora e empreendedora cultural Irian Butel formalizou, em 2024, uma empresa de elaboração de projetos e consultoria técnica para agentes culturais. Antes disso, durante a pandemia, ela retomou estudos sobre editais públicos e passou a apoiar artistas locais. O trabalho ajudou na aprovação de cerca de 40 projetos culturais. “Nunca me vi como empreendedora. Trabalhar com ideias e depois materializar essas ideias em resultados nem sempre é algo fácil de visualizar. Hoje tenho um grupo fidelizado de artistas assessorados e espero que iniciativas como o índice contribuam para ampliar o acesso ao crédito e ao mercado, porque os caminhos para o empreendedorismo feminino ainda são mais difíceis”, diz Irian.

Também em Parintins, a empreendedora Sarah Reis, dona dos negócios Salgadinho Legal e Ilha dos Personalizados, relata que a falta de capital foi uma das principais dificuldades no início da atividade empresarial. “Sem capital é muito mais difícil fazer o projeto acontecer. Quando você ainda não tem histórico com instituições financeiras, conseguir financiamento leva mais tempo e isso impacta diretamente o crescimento do negócio”, afirma.

Sarah também aponta a oferta de creches públicas como uma condição decisiva para mães empreendedoras. “Quando você sabe que seu filho está bem cuidado, consegue empreender com muito mais tranquilidade. Para muitas mães, especialmente as que chefiam a família, isso muda completamente a rotina e as possibilidades de crescimento”, diz.

Com a expansão da metodologia, gestores públicos, instituições de apoio e lideranças locais poderão usar os resultados para formular ações voltadas à redução de desigualdades regionais, ao acesso ao crédito e à criação de ambientes de negócios mais favoráveis para mulheres. A expectativa é que o índice ajude os municípios a transformar diagnósticos em medidas práticas de apoio ao empreendedorismo feminino.

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