A base do governador Gladson Cameli (PP) na Assembleia Legislativa do Acre perdeu dois aliados em 48 horas, com a saída dos deputados Eduardo Ribeiro (PSD) e Tadeu Hassem (Republicanos), que anunciaram apoio ao senador Alan Rick (Republicanos), pré-candidato ao governo em 2026. No mesmo movimento, Hassem comunicou a entrega de cargos ligados ao seu grupo e o pedido de exoneração da irmã, a ex-prefeita de Brasiléia Fernanda Hassem, que atuava na estrutura do governo estadual.
Na tribuna, Tadeu Hassem disse que a decisão foi tomada com as lideranças do Alto Acre e com a família e negou ataque pessoal a Cameli. “A vida é feita de ciclos também. Eu faço um importante comunicado. Não sou de ficar em cima do muro. Durante todo esse tempo, tive na base do governador e amigo Gladson Cameli. Votei com o governo e ajudei nas pautas importantes porque acreditei no projeto que comandou o Acre. Sou grato a Gladson. Hoje estou deixando a base do governo Gladson para acompanhar o senador Alan Rick. Não é uma decisão contra o governador, é questão de projeto para o futuro”, declarou.
Em entrevista, Hassem ligou a saída à falta de diálogo com a vice-governadora Mailza Assis (PP), que deve assumir o Palácio Rio Branco com a renúncia de Cameli. “Buscamos dialogar, mas não conseguimos avançar com a pré-candidata Mailza. Reunimos o grupo, a família, as lideranças e tomamos essa importante decisão. Hoje entendemos que, pelo melhor do Acre, é o senador Alan Rick”, disse, antes de concluir: “Não dá para aguardar para começar o diálogo.”
Eduardo Ribeiro anunciou o rompimento na terça-feira (17) e, nesta quarta (18), voltou ao tema ao defender que deixou a base “pela porta da frente”. “Eu saio com o coração em paz, pela porta da frente, avisei a todos, acho que quem manda no governo todo mundo já sabe quem é”, afirmou, ao confirmar que vai caminhar com Alan Rick.
A reação do governador veio com recado direto aos aliados que mudaram de lado às vésperas do calendário eleitoral. “Não dá para passar mais de três anos usufruindo das benfeitorias do governo e, na hora do vamos ver, fugir”, disse Cameli, ao afirmar que os parlamentares que saíram tiveram espaço e atendimento durante a gestão. “Quem saiu, saiu porque quis. Não foi expulso. E não foi por falta de apoio. Qual foi o governo que garantiu mais de R$ 5 milhões em emendas para cada deputado? Todos foram atendidos”, completou.
Nos bastidores do Palácio Rio Branco, o secretário de Governo Luiz Calixto classificou a decisão de Ribeiro como “equivocada” e disse ter recebido a informação com surpresa. “Se for verdade, lamento muito e acho que ele está tomando a decisão equivocada”, afirmou.








