Pesquisa aponta 1,3 milhão de adolescentes sem vacina contra HPV e alerta para queda na cobertura

Uma parcela expressiva de estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos segue sem proteção completa contra o papilomavírus humano (HPV), apesar de a vacina estar disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) mostram que 54,9% dos alunos disseram ter certeza de que foram vacinados, enquanto 10,4% afirmaram não ter tomado a dose e 34,6% não souberam informar se receberam o imunizante.

O HPV está associado a 99% dos casos de câncer de colo do útero e também a parte dos tumores de ânus, pênis, boca e garganta. A vacinação é indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos, faixa etária em que a resposta imunológica é maior e a proteção tende a ser mais efetiva antes do início da vida sexual.

Os números da pesquisa indicam quase 1,3 milhão de adolescentes desprotegidos e outros 4,2 milhões potencialmente vulneráveis por não terem confirmação de vacinação. Entre os estudantes ouvidos, 30,4% relataram já ter vida sexual ativa; a idade média de iniciação foi de 13,3 anos entre meninos e de 14,3 anos entre meninas. As informações foram coletadas em 2024 e apontam queda de 8 pontos percentuais na cobertura em relação à edição de 2019.

A diferença entre os sexos permanece: 59,5% das meninas disseram ter se vacinado, ante 50,3% dos meninos. Ainda assim, a redução foi mais acentuada entre elas, com recuo de 16,6 pontos percentuais.

Entre os estudantes que não se vacinaram, metade afirmou não saber que precisava tomar a vacina. A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabela Balallai, atribuiu o quadro a barreiras que vão além de conteúdos falsos: “Todo mundo acha que a hesitação vacinal se resume às fake news, mas não é isso. A desinformação é só uma das coisas que causam a hesitação vacinal. As outras são a falta de acesso, a baixa percepção do risco da doença e a falta de informação.”

A pesquisa também registrou diferenças entre redes de ensino. Entre alunos da rede pública, 11% disseram não ter se vacinado, contra 6,9% na rede privada. Já a resistência de pais ou responsáveis apareceu com mais peso na rede privada: 15,8% apontaram esse motivo, ante 6,3% na rede pública. Balallai defendeu a vacinação em ambiente escolar como forma de ampliar informação e acesso, além de envolver famílias no processo.

O levantamento traz ainda exemplos de famílias que mantêm a caderneta em dia. A jornalista e escritora Joana Darc Souza disse que as duas filhas mais velhas, de 9 e 12 anos, já estão imunizadas e relatou que a rede municipal do Rio de Janeiro convoca estudantes para vacinação em algumas ocasiões. “Eu nunca tive dúvida em relação à eficácia e sempre defendi que vacina salva vidas”, afirmou.

O Ministério da Saúde informou que dados preliminares de 2025 apontam coberturas maiores do que as captadas pela PeNSE: 86% entre meninas e 74,4% entre meninos. Desde 2024, a vacina contra o HPV passou a ser aplicada em dose única e, no ano passado, foi lançada uma estratégia de resgate para adolescentes de 15 a 19 anos que não receberam o imunizante na idade recomendada. Até o momento, 217 mil jovens foram vacinados nessa modalidade, com ações previstas até junho de 2026, incluindo atividades em escolas; quem não tem o comprovante pode verificar o registro no aplicativo Meu SUS Digital.

Fonte: Agência Brasil

Whats-App-Image-2025-10-10-at-16-30-53