Enchentes e alagamentos lideram preocupação ambiental nas capitais, aponta pesquisa

Enchentes e alagamentos são hoje a principal preocupação ambiental de moradores de capitais brasileiras, de acordo com pesquisa divulgada nesta terça-feira, 2 de junho, pelo Instituto Cidades Sustentáveis e pelo Ipsos-Ipec. O levantamento mostra que os efeitos das mudanças climáticas já pesam na rotina urbana e expõem diferenças regionais: Porto Alegre, Goiânia, Belo Horizonte, Recife e Rio de Janeiro colocam as inundações no topo das apreensões, enquanto São Paulo aponta a poluição do ar como o principal problema.

Porto Alegre aparece na frente entre as cidades mais preocupadas com enchentes e alagamentos, com 64% das respostas. Em seguida vêm Goiânia, com 50%, Belo Horizonte, com 49%, Recife, com 41%, e Rio de Janeiro, com 40%. Na capital paulista, 51% dos entrevistados citaram a poluição atmosférica como maior motivo de alerta. A pesquisa também incluiu moradores de Belém, Fortaleza, Manaus e Salvador.

Os dados mostram ainda que a preocupação com alagamentos é mais forte entre pessoas com maior escolaridade e entre entrevistados das classes A/B e C. Já a poluição do ar ganha mais peso entre moradores com renda familiar mais alta. O recorte indica que a percepção dos riscos ambientais muda de acordo com as condições econômicas e com a forma como cada cidade enfrenta os impactos do clima.

Quando a pergunta trata dos efeitos mais sentidos no dia a dia, o calor excessivo lidera, com 33% das respostas. Em seguida aparecem a poluição do ar, com 22%, o preço dos alimentos, com 15%, e as enchentes, com 11%. O resultado reforça que a crise climática deixou de ser um tema distante e passou a afetar diretamente a saúde, o custo de vida e a mobilidade nas grandes cidades.

Coordenador-geral do Programa Cidades Sustentáveis, Jorge Abrahão afirma que houve mudança na percepção da população, que passou a enxergar o meio ambiente como uma demanda urgente do cotidiano. Para ele, as respostas do poder público ainda avançam em ritmo lento e costumam vir apenas depois de desastres já consumados, enquanto obras de maior apelo visual acabam recebendo prioridade.

No lançamento da pesquisa, a deputada federal e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva defendeu uma articulação mais ampla entre União, estados e municípios para enfrentar o problema. Ela afirmou que a resposta à emergência climática não pode ficar restrita à adaptação e à mitigação e que o país precisa transformar o tema em política pública permanente, com mudanças no modelo de desenvolvimento.

O levantamento ouviu 3,5 mil pessoas em entrevistas online realizadas entre 1º e 27 de dezembro de 2025. Participaram moradores com 16 anos ou mais que vivem há pelo menos dois anos nas capitais pesquisadas. Entre os entrevistados, 84% disseram que as prefeituras têm papel importante no combate às mudanças climáticas, numa indicação de que a cobrança por ações locais tende a crescer em ano eleitoral.

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