O Acre fechou maio de 2026 com o maior custo médio da construção civil do Brasil. O metro quadrado no estado chegou a R$ 2.281,15, acima da média nacional de R$ 1.953,08 e de estados com mercados maiores, como Santa Catarina, onde o valor foi de R$ 2.199,78, e Rio de Janeiro, com R$ 2.161,70. O resultado mantém o estado no topo do ranking nacional e mostra o peso da logística e das características geológicas locais no preço das obras.
A alta vem se acumulando nos últimos meses. Em março, o custo médio no Acre era de R$ 2.193,29. Em abril, subiu para R$ 2.278,52, avanço mensal de 3,89%, o maior do país naquele mês. Em maio, houve novo reajuste, de 0,12%, suficiente para manter o estado na primeira posição nacional. No acumulado do ano, a alta no Acre chegou a 7,11%, enquanto em 12 meses o avanço foi de 10,04%.
O preço elevado não se explica apenas pela mão de obra. Em abril, acordos coletivos ajudaram a puxar a variação mensal, mas o custo da construção no Acre tem uma base estrutural mais ampla. O estado não dispõe, em escala suficiente, de rochas adequadas para produção local de brita, material essencial para concreto, pavimentação, drenagem e obras de infraestrutura. Com isso, parte relevante dos agregados precisa vir de fora, principalmente de Rondônia.
A brita é um dos pontos centrais dessa conta. Por ser pesada e transportada em grande volume, o frete tem impacto direto no preço final. O mesmo ocorre com outros insumos usados no concreto. Em um estado distante dos principais centros industriais do país, o transporte rodoviário encarece o cimento e outros materiais que chegam aos canteiros depois de longos deslocamentos.
A areia também entra na composição do problema. Em várias regiões do Acre, a granulação mais fina dos sedimentos não atende às exigências técnicas para determinados usos estruturais no concreto, o que aumenta a dependência de materiais trazidos de outras áreas. Essa combinação reduz a oferta local de insumos e deixa obras públicas, empreendimentos privados e pequenas construções mais sensíveis ao custo do transporte.
As condições do solo acrescentam outra camada de dificuldade. A predominância de terrenos sedimentares, a dinâmica dos rios amazônicos e a instabilidade de barrancos elevam a complexidade de obras em margens de rios, estradas, pontes e áreas rurais. O fenômeno conhecido como “terras caídas”, associado à erosão e ao deslocamento de grandes massas de solo nas margens dos rios, exige monitoramento, estudos geotécnicos e soluções de engenharia mais caras em diferentes regiões do estado.
O impacto chega ao consumidor final, às empresas e ao poder público. Construir casas, prédios, pontes, escolas, unidades de saúde, estradas e redes de drenagem no Acre exige orçamento maior do que na maior parte do país. Em obras públicas, o custo mais alto reduz a margem para execução de projetos com os mesmos recursos disponíveis em outros estados. No setor privado, o preço do metro quadrado pressiona financiamentos, reformas e novos empreendimentos.
Com o metro quadrado acima de R$ 2,2 mil, o Acre mantém uma posição que reflete menos um movimento pontual de preços e mais uma condição permanente da economia da construção local. A distância dos fornecedores, a dependência de agregados importados, a logística rodoviária e os desafios do solo fazem do estado o mercado mais caro do país para construir.







