TJAC capacita policiais sobre papel dos homens no combate à violência doméstica

O Tribunal de Justiça do Acre debateu, nesta quarta-feira, 15, em Rio Branco, o papel dos homens na prevenção da violência doméstica e na proteção às mulheres durante o workshop “Antes da Viatura: homens pela prevenção da violência doméstica”, realizado na Escola do Poder Judiciário do Acre. A atividade reuniu policiais militares e civis e teve participação do juiz Guilherme Fraga, integrante da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar.

A formação foi organizada pela Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar do Acre. A programação abordou estatísticas de gênero, o impacto social da violência contra mulheres, a atuação dos homens como agentes de mudança e o papel do sistema de Justiça na aplicação da Lei Maria da Penha.

Titular da 1ª Vara de Proteção à Mulher de Rio Branco, Guilherme Fraga tratou dos objetivos da Lei Maria da Penha, da responsabilidade dos órgãos que atuam na rede de proteção e do trabalho dos grupos reflexivos voltados à responsabilização de autores de violência doméstica. O magistrado afirmou que os homens precisam atuar antes que a violência chegue ao acionamento policial. “O homem tem um papel importante para desconstruir essa nossa sociedade baseada no machismo. Nós somos exemplos, temos que começar a mudar”, disse.

Durante a atividade, o debate também passou pela necessidade de ações educativas voltadas aos agressores e aos comportamentos que sustentam ciclos de violência. O Acre lidera o ranking nacional de feminicídios, com 3,37 mortes de mulheres a cada 100 mil habitantes. No estado, 74% dos feminicídios ocorrem dentro das residências, 91% envolvem relações afetivas e o domingo concentra o maior número de registros.

A responsável pela Patrulha Maria da Penha no Acre defendeu que o enfrentamento à violência doméstica precisa ir além da proteção imediata às vítimas e alcançar os homens que reproduzem condutas violentas. “Temos que trabalhar o homem, não só a mulher. Pois ele vai continuar fazendo as mesmas coisas em outros relacionamentos. O homem não nasce agressor, ele aprende a ser. Se aprende a ser agressor, também pode aprender a não ser”, afirmou.

O workshop foi encerrado com uma roda de conversa sobre paridade e participação masculina no combate à violência doméstica. A proposta é reforçar a prevenção, ampliar a atuação integrada entre instituições e incentivar policiais a reconhecerem seu papel cotidiano na mudança de comportamentos machistas.

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