A Prefeitura de Rio Branco iniciou nesta sexta-feira (17) a recomposição da frota do transporte coletivo após uma decisão judicial em Brasília autorizar a liberação de ônibus retirados de circulação por causa de uma disputa contratual entre empresas privadas. A medida permitiu o retorno inicial de 28 veículos da Ricco Transportes e abriu caminho para a normalização gradual do serviço nos próximos dias.
A crise começou com a retirada de ônibus do sistema em meio ao impasse empresarial, situação que reduziu a oferta de veículos nas linhas da capital e afetou trabalhadores, estudantes e demais usuários. Com o risco de agravamento no atendimento à população, a Prefeitura acionou a Procuradoria-Geral do Município para atuar no processo e buscar uma saída judicial que garantisse a continuidade do transporte coletivo.
A liberação ocorreu depois de negociação conduzida pela PGM. Para viabilizar o retorno dos veículos, o Município atendeu a um pedido da concessionária Ricco Transportes para antecipação de parte de créditos contratuais e fez um depósito judicial de R$ 2,895 milhões, valor aceito pela Justiça para liberar a frota enquanto a disputa entre as empresas segue em análise.
Com a decisão, 28 ônibus começaram a ser reincorporados ao sistema ainda na sexta-feira. A previsão era de que a normalização avançasse de forma gradual até segunda-feira, com a volta da frota liberada às ruas. O superintendente da RBTrans, Marcos Roberto da Silva Coutinho, afirmou que a orientação do prefeito Alysson Bestene foi montar uma equipe emergencial para acompanhar a crise e preservar o atendimento à população.
“A determinação do prefeito, desde quando ele montou a equipe de trabalho, a equipe de emergência, foi para estar lidando diretamente com a situação do transporte. Vendo isso, nós chegamos à conclusão de que a parte do transporte estava em uma situação caótica. Houve a pressão, mas a briga foi entre empresas. A Prefeitura, por meio da PGM, em Brasília, conseguiu a negociação para que a gente fizesse o depósito em juízo. E aí ocorreu agora a liberação de toda a frota que estava apreendida”, disse Coutinho.
Após a liberação judicial, a gestão municipal anunciou o retorno de 50 ônibus ao sistema e o reforço da frota durante o período de transição para a nova empresa que ficará responsável pela operação do transporte coletivo. Além dos 28 veículos que voltaram a circular na sexta-feira, outros 12 ônibus devem entrar em operação até terça-feira, depois de passarem por manutenção.
Com esse reforço, a frota em circulação deve chegar a 74 ônibus, quantidade prevista para atender todas as rotas da capital durante a fase de transição. O prefeito Alysson Bestene afirmou que a administração municipal vem adotando medidas desde o início da gestão para enfrentar a crise no setor, entre elas a decretação de situação de emergência, a contratação emergencial de uma nova empresa e a atuação jurídica para evitar a paralisação do serviço.
“Desde o primeiro momento que a gente assumiu e fez o levantamento das condições do transporte público na capital, tomamos várias medidas. Fizemos a contratação emergencial de uma nova empresa e, nesse período de transição, atuamos junto com a Procuradoria para garantir que esses ônibus fossem liberados. O nosso objetivo sempre foi evitar que a população sofresse com a descontinuidade do serviço”, afirmou o prefeito.
O representante da Ricco Transportes, Leonardo Frederico, afirmou que os usuários já começariam a perceber melhora no atendimento a partir da retomada dos veículos. Segundo ele, parte dos conflitos foi superada e os ajustes restantes devem ocorrer de forma gradual até a regularização do sistema. “É uma coisa de cada vez, mas a gente resolveu boa parte dos problemas, dos conflitos. Agora, a população, a partir de hoje, já vai notar a diferença e, na segunda-feira, já vai poder ver a normalidade”, disse.
Enquanto reforça a frota atual, a Prefeitura mantém o processo de transição para a nova operadora. O contrato já foi assinado e a empresa iniciou a fabricação dos veículos que vão compor a nova frota. A expectativa da gestão municipal é que a operação comece entre 60 e 90 dias, com aproximadamente 120 ônibus, incluindo veículos zero quilômetro e seminovos.
A administração municipal informou que continuará acompanhando o processo e adotando medidas administrativas e jurídicas para manter o transporte coletivo em funcionamento até a entrada da nova empresa. A prioridade, neste momento, é recompor a frota, reduzir os transtornos nas linhas e garantir a continuidade do serviço aos usuários de Rio Branco.







