O desperdício de água passou a ser um dos principais problemas para o abastecimento de Rio Branco durante a estiagem. Mesmo com o Rio Acre em nível baixo e aumento do consumo no período seco, o Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) afirma que a produção de água tratada é suficiente para atender a população, mas perdas dentro dos imóveis, vazamentos e limitações na rede dificultam a distribuição, principalmente nas áreas mais altas e distantes dos reservatórios.
O sistema de captação continua funcionando nas estações de tratamento ETA I e ETA II. As estruturas permanecem sob acompanhamento por causa do risco de desbarrancamentos e movimentações do solo às margens do Rio Acre. A atenção foi ampliada depois da estiagem de 2024, quando o manancial chegou a 1,23 metro, menor marca registrada em mais de cinco décadas de medições.
Segundo o diretor-presidente do Saerb, Enoque Pereira, os equipamentos de captação funcionam 24 horas por dia e passam por manutenção para reduzir o risco de interrupções. Neste ano, o sistema enfrentou apenas paralisações pontuais, apesar das condições provocadas pelo período de seca.
As maiores dificuldades aparecem na distribuição da água para os bairros. O crescimento urbano, especialmente nas regiões mais altas da capital, aumentou a demanda sem uma expansão equivalente da capacidade de reservação. Em algumas localidades, tubulações de pequeno diâmetro e a distância dos reservatórios reduzem a pressão e fazem com que a água demore mais para chegar às casas.
O Saerb prepara uma ampliação de 4 mil metros cúbicos no Centro de Reservação Bem-Te-Vi e planeja outra estrutura de armazenamento na região do Quixadá. Juntas, as intervenções devem acrescentar aproximadamente 8 mil metros cúbicos à capacidade de reservação da parte alta da cidade. A previsão é concluir as melhorias até o fim de 2027, com possibilidade de antecipação de parte dos serviços.
O consumo também aumenta durante a seca. Moradores que utilizam poços em outras épocas do ano passam a depender da rede pública quando essas fontes perdem vazão ou secam. A mudança eleva a procura justamente no período em que o sistema enfrenta maior pressão.
Enoque Pereira afirma que Rio Branco produz atualmente quase o dobro do volume de água necessário para manter o abastecimento contínuo da cidade. O problema, segundo ele, está no desperdício. Caixas-d’água que continuam transbordando depois de cheias, vazamentos e consumo excessivo fazem parte das situações encontradas pela autarquia.
“O usuário muitas vezes enche a caixa-d’água em uma hora de abastecimento e derrama mais cinco horas. Isso atinge diretamente o sistema. Hoje a gente produz praticamente o dobro da água que Rio Branco precisa para ter água 24 horas”, afirmou.
A fiscalização contra o desperdício foi reforçada. O Saerb possui mecanismos para notificar usuários e aplicar multas em casos de irregularidades, além de adotar outras medidas quando houver reincidência.
Na zona rural, onde diversas comunidades não são atendidas pela rede convencional, a estiagem aumenta a dependência de caminhões-pipa. Dois veículos do Saerb foram destinados ao atendimento dessas localidades, em conjunto com as ações da Defesa Civil. Alguns igarapés utilizados por famílias e produtores rurais secaram, ampliando a dificuldade de acesso à água para moradores e animais.
Na área urbana, caminhões-pipa também podem ser utilizados de forma emergencial em locais onde a rede existente ainda não consegue manter pressão e vazão suficientes. Paralelamente, o município executa intervenções para ampliar redes, corrigir vazamentos e aumentar a capacidade de distribuição em pontos com problemas recorrentes de abastecimento.







