O Ministério da Saúde protocolou nesta quinta-feira (24) um novo pedido para que as chamadas canetas emagrecedoras sejam incorporadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta será analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e envolve medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1 usados no tratamento da obesidade.
O governo sustenta que a redução nos preços dos medicamentos e o aumento da concorrência no mercado mudaram o cenário desde a última análise da Conitec. Em agosto, a comissão havia rejeitado a incorporação desse tipo de tratamento devido ao alto impacto financeiro para o SUS.
O Ministério da Saúde afirma que os custos das canetas caíram cerca de 70% no Brasil em menos de um ano. Até agora, 25 produtos desse tipo já foram registrados no país, sendo 14 somente em 2026. A lista inclui versões produzidas no Brasil e medicamentos genéricos.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou recentemente que produtos que chegavam a custar entre R$ 1,7 mil e R$ 2 mil já podem ser encontrados por valores entre R$ 300 e R$ 400 nas farmácias.
“Isso já ajuda muita gente. Mas a gente quer uma outra coisa: colocar essa medicação no SUS como um direito. E vamos fazer isso de forma responsável”, afirmou Padilha.
A proposta prevê que o acesso pelo SUS não seja indiscriminado. Caso a incorporação seja aprovada, deverão ser definidos critérios clínicos para determinar quais pacientes poderão receber a medicação, priorizando casos em que o controle da obesidade possa reduzir complicações e evitar procedimentos de maior complexidade.
O governo também usa como argumento o crescimento da obesidade no país. A proporção de pacientes com a condição passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024. O tratamento exige acompanhamento de longo prazo e pode ter impacto tanto na qualidade de vida quanto nos gastos futuros do sistema de saúde.
A Conitec é responsável por avaliar a inclusão de medicamentos, procedimentos e outras tecnologias no SUS. O processo inclui análise técnica e consulta pública antes da recomendação final sobre a incorporação.







