O desempenho foi impulsionado principalmente pelas exportações de produtos agropecuários. A carne bovina fresca lidera a pauta de vendas internacionais, com participação de 35,3%, seguida por frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas (24,6%), e soja (18,7%).
Peru, Turquia e Emirados Árabes Unidos foram os principais compradores dos produtos acreanos nos nove primeiros meses do ano. A proximidade geográfica com o Peru tem favorecido as relações comerciais e ampliado as oportunidades de negócios para empresas do estado.
Enquanto as exportações avançaram, as importações somaram US$ 5,2 milhões no mesmo período. Entre os produtos adquiridos do exterior, os artigos de vestuário representaram 41,3% das compras, seguidos por armas e munições, com 14,6%.
A Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict) trabalha com a possibilidade de que o Acre encerre 2026 com um superávit comercial próximo de US$ 130 milhões. A projeção foi apresentada pelo secretário Márcio Valter Agiolfi, que atribui parte do crescimento à ampliação das relações comerciais com países vizinhos.
Para o secretário, o mercado peruano ocupa uma posição estratégica na expansão das exportações acreanas. Neste ano, empresários dos dois países participaram de uma rodada de negócios em Puerto Maldonado, no Peru. A expectativa é que novas iniciativas comerciais sejam desenvolvidas a partir da aproximação entre representantes dos setores produtivos.
O governo estadual também pretende ampliar o número de empresas que comercializam produtos no exterior. Entre as medidas estão a capacitação de empresários, o apoio técnico para operações de exportação e a participação em feiras internacionais, como a Expoalimentaria, realizada com apoio do Sebrae.
Outra frente envolve a melhoria da infraestrutura industrial. O parque industrial de Cruzeiro do Sul passou por revitalização no primeiro semestre de 2026, enquanto intervenções nos polos de Feijó e Xapuri estão em fase de conclusão. Em Rio Branco, foram executadas melhorias na pavimentação do Distrito Industrial.
A integração logística com os países vizinhos também faz parte dos planos de expansão comercial. A chamada Rota Quadrante Rondon, que busca conectar o Acre aos portos do Oceano Pacífico, é considerada uma alternativa para facilitar o transporte de mercadorias e ampliar o acesso aos mercados internacionais.
Apesar do potencial econômico, estudos realizados no estado apontam desafios para a consolidação desse corredor, entre eles a necessidade de maior articulação entre governos, municípios e instituições dos países envolvidos, além da simplificação dos procedimentos de comércio exterior.
Com o resultado acumulado até setembro, o Acre já supera em US$ 2,1 milhões o saldo registrado nos 12 meses de 2025. Caso a projeção de US$ 130 milhões se confirme, o estado encerrará o ano com um novo recorde no comércio exterior.







