O governo do Acre recebeu nesta terça-feira, 23 de junho, representantes da Organização Internacional para as Migrações, agência da ONU para as Migrações, em reunião na Secretaria de Estado da Casa Civil para discutir a política migratória no estado, os desafios nas regiões de fronteira e os impactos das mudanças climáticas sobre ações de ajuda humanitária.
O encontro reuniu o chefe da Missão da OIM no Brasil, Paolo Caputo, o coordenador de Emergências da OIM na Região Norte, Daniel Pereira, e representantes da Casa Civil, da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, da Secretaria de Justiça e Segurança Pública, da Defesa Civil Estadual, da OAB Acre e do Conselho Estadual de Apoio aos Migrantes, Apátridas e Refugiados.
A agenda tratou da rede de atendimento estadual e municipal, do fluxo migratório em municípios de fronteira e das dificuldades enfrentadas por cidades isoladas por via terrestre, como Marechal Thaumaturgo, Santa Rosa do Purus e Porto Walter. O combate ao trabalho análogo à escravidão, à exploração sexual, à exploração laboral e ao tráfico de pessoas também entrou na pauta.
Em sua primeira visita oficial ao Acre, Paolo Caputo afirmou que a OIM pretende ampliar a cooperação com o Estado na governança da migração e na prevenção de riscos climáticos. “Há muito trabalho a ser feito em conjunto e estamos prontos para cooperar com o governo do Estado do Acre”, disse.
O coordenador da Casa Civil, Ítalo Medeiros, afirmou que a parceria ganha peso no momento em que o Estado se prepara para novos impactos climáticos sobre operações de apoio humanitário. Ele também relacionou a migração a movimentos políticos e sociais na América do Sul, com reflexos diretos no Acre.
Daniel Pereira afirmou que a OIM busca captar recursos para apoiar estados da Região Norte na preparação e resposta a emergências climáticas, especialmente diante da previsão de uma estiagem severa nos próximos meses. A organização pretende usar as informações repassadas pelo governo acreano para elaborar propostas de financiamento voltadas à logística de ajuda humanitária em áreas isoladas.
O secretário de Assistência Social e Direitos Humanos, João Paulo Silva, afirmou que o Estado mantém uma política contínua de apoio à população migrante, com atuação conjunta das diretorias e equipes técnicas nos municípios de fronteira. “O Estado mantém suas portas abertas para acolher, orientar e cuidar de cada indivíduo com humanidade, respeito e dignidade”, declarou.
O vice-presidente do Conselho Estadual de Apoio aos Migrantes, Apátridas e Refugiados e assessor da Defesa Civil, Amilson Albuquerque, afirmou que os desafios da migração exigem atuação integrada entre os órgãos. A Defesa Civil também apresentou informações técnicas sobre enchentes, estiagens e outros efeitos climáticos que afetam a população e ampliam a demanda por assistência.
A reunião encerrou com a sinalização de continuidade da parceria entre o governo estadual e a OIM. A intenção é fortalecer projetos de atendimento a migrantes, ampliar a cooperação institucional e preparar respostas mais rápidas para emergências climáticas em municípios vulneráveis.







