O jornalista, humorista e pastor Antônio Klemer afirmou que a humanidade atravessa uma transformação profunda, onde a tecnologia e a comunicação digital alteraram definitivamente os processos sociais e econômicos. Em entrevista ao segundo episódio do podcast Calegari Cast, apresentado por Calegari, Klemer defendeu que, embora a Inteligência Artificial seja uma revolução industrial sem volta, ela jamais substituirá a sensibilidade, o sonho e a capacidade de misericórdia intrínsecos ao ser humano. “A inteligência artificial não pensa sozinha; ela é alimentada por nós. Se a sua humanidade for curta, não adianta inventar ferramentas tecnológicas”, declarou o convidado, conectando sua vasta experiência na comunicação com uma visão espiritual e antropológica sobre o atual momento do planeta.
Durante o diálogo, Klemer relembrou marcos de sua trajetória profissional, como a participação no programa de Tom Cavalcante na Record e no Multishow, destacando como o humor atua como uma ferramenta de confronto ao poder. Segundo o jornalista, o mercado para humoristas no Brasil sofreu retrações significativas devido a processos de censura e à polarização política, que muitas vezes intimida a livre expressão criativa. Ele ressaltou que a piada tem o poder de desarmar figuras públicas e que governos totalitários historicamente temem o riso mais do que as sanções judiciais, pois o humor expõe contradições que o discurso formal tenta esconder.
O convidado também abordou a crise de representatividade política no Acre e no Brasil, lamentando que problemas estruturais, como saneamento básico e ética na gestão pública, permaneçam os mesmos ao longo de décadas. Klemer, que possui especialização em jornalismo político, criticou a estrutura partidária brasileira e o uso de marketing digital para “embalar” candidatos com discursos preparados por algoritmos, mas que carecem de propostas reais para a melhoria da qualidade de vida da população. Para ele, o estado possui um histórico de pioneirismo em diversas áreas, mas a falta de valorização da própria identidade e história impede um desenvolvimento mais robusto.
Ao final da entrevista, o tom de análise deu lugar ao lamento e à solidariedade diante de episódios recentes de violência em instituições de ensino no estado. Klemer manifestou profundo pesar pelas vítimas e pelas famílias atingidas, classificando o momento como uma “crise humanitária” que exige vigilância e união da sociedade. Ele defendeu que a solução para os conflitos atuais não reside apenas em ferramentas humanas ou aumento de policiamento, mas em uma renovação mental e espiritual. O jornalista encerrou sua participação reforçando a importância do amor ao Acre e da esperança como pilares para superar o cenário de violência e instabilidade social.







