A ONG Patinha Carente tenta impedir o abate sanitário das lhamas e alpacas apreendidas em maio na BR-364, no Acre, depois que o Ministério Público Federal se manifestou a favor da eliminação dos animais por risco sanitário. O caso está sob análise da Justiça Federal, que ainda vai decidir o destino dos cerca de 30 animais sobreviventes mantidos em quarentena na zona rural de Porto Acre.
O grupo foi apreendido durante fiscalização em um posto da BR-364, a cerca de 115 quilômetros de Rio Branco. Os animais eram transportados sem a documentação zoossanitária exigida e tinham como destino Alvorada do Oeste, em Rondônia. Desde a apreensão, 13 lhamas e alpacas morreram. A suspeita é de que o desgaste do transporte e o clima quente do Acre tenham contribuído para as mortes.
A manifestação do MPF acompanha parecer técnico do Ministério da Agricultura e Pecuária, que apontou ausência de origem comprovada, falta de histórico sanitário regular, importação irregular e impossibilidade de rastreamento do rebanho. O Mapa também considerou inviáveis alternativas como devolução ao suposto proprietário, reexportação e manutenção prolongada em quarentena.
A preocupação sanitária envolve o risco de febre aftosa, doença de notificação obrigatória que afeta animais de produção e também pode atingir camelídeos, grupo que inclui lhamas e alpacas. O Acre tem reconhecimento como zona livre de febre aftosa sem vacinação, condição considerada estratégica para a agropecuária estadual e para a circulação segura de animais e produtos de origem animal.
A advogada Vanessa Facundes, responsável pela ONG Patinha Carente, afirma que os animais foram acolhidos para evitar o abate imediato. “Assumimos essa responsabilidade para evitar que fossem diretamente para o abate, dando a elas a chance de retornarem ao seu país de origem. Elas estão protegidas, cuidadas, em quarentena e recebendo muito amor”, declarou.
A entidade sustenta que continuará buscando uma saída para preservar os animais. Vanessa também afirmou que a ONG não quer que as lhamas e alpacas sejam abatidas nem devolvidas ao proprietário. Durante o período de acolhimento, o grupo recebeu acompanhamento de voluntários, apoio veterinário e doações, incluindo alimentos entregues pelo cônsul do Peru no Acre.
O empresário Wellington Vieira de Araújo, apontado como proprietário da carga, declarou em entrevista após a apreensão que os animais estavam regularizados e seriam vendidos em Rondônia. A versão não afastou, até o momento, os questionamentos sanitários levantados pelos órgãos federais.
A decisão final ficará a cargo da Justiça Federal. Até lá, os animais seguem sob responsabilidade da ONG, enquanto autoridades sanitárias defendem que o risco ao rebanho brasileiro deve orientar o desfecho do caso.







